ANO: 25 | Nº: 6312

Luiz Fernando Mainardi

luiz.mainardi@al.rs.gov.br
Deputado Estadual
08/05/2019 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Chega Bolsonaro! As Universidades são do povo.


Na semana passada, pasmos, fomos informados pelo ministro da Educação que o governo federal vai cortar 30% dos orçamentos das Universidades públicas brasileiras. O argumento inicial era de que havia muita balbúrdia nos ambientes acadêmicos. Balbúrdia, nesse caso, queria dizer oposição ao desgoverno de seu chefe, Bolsonaro. Depois, o contingenciamento foi explicado por "motivos técnicos".
O resultado desta decisão é trágico. No Rio Grande do Sul, isso significará R$ 213 milhões a menos para as Instituições Federais de Ensino, sejam elas Universidades ou Institutos Federais de Educação. Apenas na Unipampa, o bloqueio orçamentário atingirá quase R$ 19 milhões dos R$ 56 milhões previstos em seu orçamento para 2019.
O prejuízo não será apenas para a comunidade universitária, que corre o risco de ter suas instituições fechadas, mas para toda a sociedade brasileira. Basta saber que 90% das pesquisas de ponta em todo o país são realizadas nessas instituições e uma parcela significativa de nossa inteligência científica é formada nesses Campi de estudos e pesquisas.
Mas os cortes não afetam apenas o Ensino Superior. Também a Educação Básica e o Ensino Infantil terá cortes e contingenciamentos. O valor total dos bloqueios de recursos chega na casa dos R$ 7,5 bilhões. Evidentemente, os prejudicados serão os mais pobres, que não têm alternativas e não podem matricular seus filhos em escolas ou universidades particulares.
Diga-se de passagem que já é passado aquela ideia de que o acesso às Universidades públicas era um privilégio de quem tinha dinheiro, particularmente das famílias de classe média, que formavam melhores os seus filhos para disputar as poucas vagas que eram disponibilizadas no Ensino Público Superior, através do vestibular.
Hoje, após a ampliação das vagas, com a criação das novas universidades públicas durante o governo Lula, com a instituição das cotas sociais e raciais, também nos governos petistas, e com a nova metodologia de ingresso, através do Sisu, o acesso à Universidade foi democratizado e ampliado. Hoje, felizmente, a maior parte dos estudantes são oriundos de famílias menos favorecidas.
Mais do que isso, as Universidades foram interiorizadas e pensadas em uma estratégia de desenvolvimento para todo o Brasil. É assim que se insere, por exemplo, a criação da Unipampa, nas regiões da Campanha e da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Hoje, todo mundo que mora nesta região, entende a importância desta Universidade para a dinâmica econômica dos municípios.
Por isso, não vamos permitir que Bolsonaro destrua um dos ativos mais importantes que criamos e fizemos crescer. Quando falo nós, não me refiro a uma ou outra força política. A contrário, a ampliação do acesso às Universidades e a qualificação da educação brasileira, foi uma exigência do povo brasileiro.
O ódio do governo federal ao ensino e à produção científica está diretamente relacionado a uma visão autoritária e anticientífica, em tudo oposta ao que está consolidado mundialmente sobre o que é importante para garantir o desenvolvimento e a qualidade de vida em qualquer comunidade.
Infelizmente, o governo Bolsonaro não cansa de mostrar sua decisão de destruir todas os avanços e conquistas que obtivemos nesses últimos anos. Mesmo que isso signifique destruir o Brasil. Vamos resistir. Chega Bolsonaro! Todos à Assembleia da Unipampa.

Líder da bancada do PT na AL

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...