ANO: 26 | Nº: 6590
09/05/2019 Fogo cruzado

Deputados catarinenses cobram transparência na incorporação da Eletrosul pela CGTEE

Parlamentares que representam Santa Catarina na Câmara dos Deputados não pouparam críticas ao  processo de incorporação da Eletrosul, que tem sede em Florianópolis, pela Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE), sediada em Candiota, durante agenda com o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, na Comissão de Minas e Energia.
O deputado federal Coronel Armando, do PSL catarinense, que propôs o debate, juntamente com os deputados Padre João, do PT de Minas Gerais, Carlos Zarattini, do PT de São Paulo, e Airton Faleiro, do PT do Pará, alega que ‘faltam estudos técnicos que justifiquem a decisão’. De acordo com informações da Agência Câmara Notícias, o parlamentar citou o voto da ex-conselheira da Eletrosul, Rita de Cássia Pandolfi, no qual ela alerta outros conselheiros sobre a necessidade de os gestores das empresas terem acesso a estudos e informações prévias sobre a incorporação, a fim de evitar sanções previstas na Lei das Sociedades Anônimas e danos aos acionistas.
Os deputados cobram, na prática, ‘mais transparência’ no processo de incorporação. Na avaliação do deputado Pedro Uczai, do PT de Santa Catarina, ‘o governo federal está tomando uma decisão política, que desconsidera outras soluções possíveis’. Ele questionou o presidente da Eletrobras sobre a possibilidade da CGTEE ser subsidiária da Eletrosul.
A incorporação também foi criticada pelos deputados catarinense Carlos Chiodini, do MDB, Daniel Freitas, do PSL, e Rogério Peninha Mendonça, do MDB. Peninha argumentou que, em 2018, a Eletrosul (que opera hidrelétricas, eólicas, solares e pequenas centrais elétricas) teve o lucro de R$ 207 milhões, enquanto a CGTEE apresentou prejuízo de R$ 562 milhões.

Sede em Florianópolis
O presidente da Eletrobras destacou, em resposta aos deputados, que todos os órgãos de controle, como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), estão sendo informados do processo de incorporação.
Ferreira Junior, ainda de acordo com a Agência Câmara Notícias, também se comprometeu a repassar pareceres técnicos e informações aos deputados, salientando que a operação cria uma expectativa de geração de caixa pela sinergia que as empresas podem ter. “Isso permite que elas operem com uma redução de custos de R$ 24 milhões, 20% mais produtividade, 24% menos colaboradores (eram 275, agora são 209). Isso está sendo feito no grupo Eletrobras como um todo”, disse.
O presidente informou que, além da redução de pessoal e da terceirização de atividades, o processo de incorporação envolve ainda o compartilhamento da gestão e da operação e o aproveitamento dos prejuízos fiscais acumulados por ambas as empresas, com o objetivo de minimizar o pagamento de impostos pela CGT Eletrosul.
Ferreira Junior sustenta, ainda, que a reestruturação societária considerou várias alternativas possíveis, a fim de obter a maior vantagem financeira sem alterar os planos de carreira, de saúde e de previdência dos funcionários. “Qual é a mágica? Elas (as duas empresas) estão compartilhando hoje um centro de serviços em Santa Catarina, na sede da Eletrosul", afirma.
Segundo o presidente da Eletrobras, o centro de serviços compartilhados será responsável por todas as operações corporativas e administrativas para as duas empresas. Ele reforçou que a sede operacional continuará sendo a sede da Eletrosul, em Florianópolis.

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