ANO: 26 | Nº: 6495
13/05/2019 Editorial

131 anos da abolição


Há pouco mais de três décadas, ainda na gestão de José Sarney, o racismo se tornou crime no País. Isso a partir da instituição da Lei de nº 7.716, que definiu mecanismos legais para acabar com um preconceito que, mesmo hoje, vez ou outra, lamentavelmente, é identificado. Foi uma vitória, talvez, somente superada, para quem era a vítima, só vista quase cem anos antes. Em 1888, o Brasil se inseriu num contexto mundial, tardiamente é verdade, que acabou com a escravidão e um dos períodos mais sombrios da humanidade.
O fim da escravatura, por outro lado, não enterrou um passado obscuro. Mesmo na atualidade, estudos que levaram, literalmente, uma vida para serem pesquisados começaram a ser divulgados. E evidencie-se, com base em documentos, não apenas em depoimentos, sempre passíveis de serem conduzidos muito mais pela opinião do que pela verdade. Parte deste contexto é exposto, hoje, pelo Jornal MINUANO, fruto de uma análise dos jornalistas Melissa Louçan e Sidimar Rostan que, ao longo das últimas semanas, se debruçaram sobre registros que integram o projeto Documentos da Escravidão, concluído, em 2010, pelo Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul.
Durante as apurações documentais, focadas especificamente sobre dados de Bagé, constataram informações, muitas vezes, chocantes. E houve motivo para tal: a quantidade de processos. Foram nada menos que 2.441 registros catalogados entre janeiro de 1849 e 13 de maio de 1888 – dia da abolição –, colocando a Rainha da Fronteira no segundo lugar no Estado com mais processos, atrás apenas da capital gaúcha, Porto Alegre.
Dentre estes documentos, algumas histórias que revelam uma crueldade que jamais poderá ser admitida, seja em que momento for. Por este motivo é que a reportagem abre sua narrativa frisando a história de Virgília, morta por seu "dono", a pontapés, aos 11 anos de idade, apenas, segundo consta, por ter entregue "as meias erradas".
A escravidão acabou, o racismo se tornou crime, mas muito ainda é preciso para uma realidade mais justa ser alcançada. E por mais doloroso e vergonhoso que seja para a humanidade, estas histórias devem servir como exemplo para que jamais se repitam. Esta é, sem dúvida, uma meta que caminha junto à esperança.

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