ANO: 25 | Nº: 6385

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
13/05/2019 Caderno Minuano Saúde

Psicomotricidade: o elo da cognição infantil

Foto: Divulgação

A inatividade motora das crianças, na atualidade, é cada vez maior. No dia a dia, o tempo livre se tornou reduzido e as opções lúdicas estão cada vez mais escassas, trocadas pela navegação na internet ou pela televisão, da qual utiliza domínios motores mínimos, como o apertar de botões.

É outra época, outro momento, com outros interesses e outras necessidades, mas não se pode aceitar o fato de 'contribuir' com este ‘analfabetismo motor’. Para tanto, é preciso estimulá-las a manusear livros, revistas, massa de modelar, jogar bola, jogos de encaixes, quebra-cabeça, usar pincéis e tintas, além de muitos outros recursos simples que auxiliam no desenvolvimento global da criança.

Nesta edição, a psicopedagoga e psicomotricista da Clínica Soma, Alessandra Torres Mendes, explica o que é esse elo e como desenvolvê-lo.

 

Criação de consciência do indivíduo

A psicomotricidade é responsável pela criação de uma consciência no indivíduo acerca dos movimentos que realiza por meio da velocidade, tempo, espaço e percepção própria da pessoa. Segundo a especialista, ela ganha uma dimensão inegável pelo fato de sua atuação no sistema nervoso central.

O aspecto cognitivo está ligado ao psicomotor, destaca Alessandra. “As crianças devem ser estimuladas, desde o seu nascimento, às mudanças que vão se produzindo, de de forma gradual. O corpo é considerado a primeira forma de linguagem para a criança, já que com ele introduz sua comunicação com o meio. É a linguagem da ação. Para isso, o corpo vai realizando conquistas sucessivas em relação ao seu espaço, seus movimentos, suas posturas, seus gestos e seus tempos. No decorrer destes acontecimentos, este corpo vai se caracterizando e tornando-se uma espécie de identidade. E cabe aos pais e educadores aproveitarem estes momentos para estimular a criança a fazer descobertas e explorar o ambiente em que ela está inserida, observando sempre a etapa de desenvolvimento em que elas se encontram. Se a criança possuir um bom controle motor, poderá explorar o mundo exterior, fazer experiências concretas que ampliem o seu repertório de atividades e solução de problemas, adquirindo, assim, várias noções básicas para o próprio desenvolvimento intelectual, o que permitirá também tomar conhecimento do mundo que a rodeia e ter domínio da relação corpo/meio. Para isto, precisamos nos conscientizar que a educação pelo movimento é uma peça mestra no processo cognitivo da criança”, argumenta.

Aspectos essenciais que devem ser trabalhados na educação motora

Alessandra destaca para se trabalhar a parte motora como um processo de ajuda que acompanha a criança em seu próprio percurso maturativo. Os aspectos primordiais da educação psicomotora são o esquema corporal, lateralidade, coordenação motora fina e ampla, ritmo, noção espacial e temporal. “O conjunto de todos estes elementos favorece um bom rendimento escolar, pois sem ritmo a criança não conseguirá acompanhar a professora quando esta escreve no quadro. Sem um bom desenvolvimento na sua coordenação motora fina, sua letra se tornará ilegível. Sem uma orientação espacial, seu caderno se tornará desorganizado, pulando linhas e folhas. Se o tônus muscular não estiver bem estimulado, a criança irá cansar facilmente e também se queixar de dor na mão ao escrever, entre outros aspectos”, complementa a profissional.

Para concluir, é importante que a criança busque experiências em seu próprio corpo, formando conceitos e organizando o esquema corporal. É necessário que toda criança passe por todas as etapas em seu desenvolvimento, destaca a psicopedagoga. “Por meio das atividades lúdicas, as crianças, além de se divertirem, criam, interpretam e se relacionam com o mundo em que vivem, relacionando-se através da ação, como um meio de tomada de consciência que une o ser corpo, o ser mente, o ser espírito, o ser natureza e o ser sociedade”, conclui.

 

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