ANO: 25 | Nº: 6385
14/05/2019 Segurança

Júri popular condena jovem por assassinato em CTG no ano de 2013

Foto: Reprodução JM

Patric Antecher da Silva foi sentenciado a 21 anos e quatros meses em regime fechado
Patric Antecher da Silva foi sentenciado a 21 anos e quatros meses em regime fechado

Patric Antecher da Silva, 23 anos, conhecido como “Quinho”, foi condenado a 21 anos e quatros meses em regime fechado, pela morte de Rafael Garcia Rangel, 20 anos, no dia 13 de outubro de 2013, no interior do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Piquete Raízes do Tarumã, na Vila Damé. O julgamento aconteceu durante todo o dia de hoje, no Tribunal do Júri da Comarca de Bagé.

O crime ocorreu na frente do estabelecimento de tradições gaúchas. De acordo com a denúncia do Ministério público, o réu, desferindo disparos de arma de fogo, matou a vítima, Rafael Garcia Rangel, com três tiros. Na ocasião, o denunciado, por motivo íntimo, descontente com o fim do relacionamento com uma adolescente e pela vítima ter dançado com ela na festa que ocorria no local do fato, avistou Rangel no portão de entrada da entidade tradicionalista, pegou a arma que portava e disparou contra ele, atingido-o três vezes.

Ainda segundo a denúncia, o delito foi cometido por motivo fútil, pois atirou na vítima por ciúmes da adolescente. O denunciado, na execução do delito, empregou recurso que impossibilitou a defesa do ofendido, uma vez que o abordou pelas costas e, em ato contínuo, disparou a curta distância, sem possibilitar qualquer recurso de defesa. O crime também resultou em perigo comum, na medida em que havia um número indeterminado de pessoas no local. Algumas, inclusive, foram atingidas. Além disso, havia crianças no local, já que a festa foi promovida em comemoração Dia da Criança.

Outras quatro pessoas foram atingidas por disparos de arma de fogo. Uma delas, um trabalhador autônomo, durante testemunho na audiência, relatou que foi atingido por dois tiros e estava ao lado de Rangel. Segundo ele detalhou, viu que a vítima cair ao seu lado e sentiu uma queimação no abdômen. “Não conhecia o rapaz que atirou contra ele, só vi que na hora que o Rafael me passou a cerveja e, depois, já caído. Ele era muito tranquilo, uma pessoa do bem”, completou. A vítima ainda destacou que teve que retirar o baço, fez um longo tratamento e, até hoje, tem problemas de saúde devido aos tiros que o acertaram naquela ocasião.

Outra vítima, um consultor e músico, foi atingido no pé e comentou que estava no interior do salão, aguardando um pagamento quando levou o tiro. “Estou há quatro anos e meio sem poder trabalhar direito, porque tive graves problemas por causa disso, nem sei quem é o réu, não vi quem atirou”, explicou.

Uma terceira vítima, que iria testemunhar, não compareceu ao julgamento.

Testemunhas

Foram ouvidas cinco testemunhas de acusação. O primeiro a falar foi o policial civil responsável pela investigação no fato, Guilherme Madruga. Ele contou com detalhes de como foi a investigação. Conforme destacou, no dia que ocorreu o fato, agentes foram chamados e compareceram até o local. “Era uma festa em comemoração ao Dia das Crianças, no local estavam diversas crianças e familiares. Ele, o autor, simplesmente desferiu diversos disparos. Após matar a vítima, ainda atirou contra pessoas que nada teriam a ver com o fato, que depois descobrimos ser por ciúmes da ex-namorada”, mencionou.

O policial ainda destacou que todas as pessoas no bairro Damé conhecem pessoas ligadas ao acusado, por terem diversos antecedentes criminais. “Eles ameaçam as pessoas, comercializam drogas, possuem armas, temos diversas denúncias da população que tem medo da família, um dos irmãos dele está preso por tráfico de entorpecentes, desde criança eles tem passagens. No dia do fato, ele, por ciúme, pegou pela 'traição' a vítima, que era uma pessoa do bem, não tinha passagens pela polícia. Acredito que ele não queria somente matar o Rafael, pois ele entrou no local e seguiu disparando, descarregou o revólver numa festa de família, com um local cheio de crianças”, acrescentou.

Ainda durante o depoimento, o policial civil garantiu que todas pessoas ouvidas, testemunhas do fato, foram taxativas em dizer que era o “Quinho” que atirou contra Rangel.

A defesa questionou sobre o número de tiros, pois, segundo o advogado, um revólver calibre 38 que teria sido usado teria apenas seis munições e que, somando os ferimentos e tiros nas paredes do local, teriam sido 12 disparos. O policial civil rebateu dizendo que a munição pode atravessar uma pessoa e atingir outra e também ricochetear no chão e atingir pessoas.

Outras quatro testemunhas foram ouvidas, um jovem, conhecido da vítima relatou que viu o fato, mas que não lembra muito dos detalhes, pois no momento estava nervoso. A promotoria ainda ressaltou que durante outras audiências, essa testemunha informou que viu o réu atirar, mas desta vez não confirmou.

Um cobrador de ônibus também estava no CTG quando ocorreu o crime e contou que tudo aconteceu muito rápido e que viu Rafael já caído, muito ferido. “Ele era tranquilo, não bebia, uma pessoa amiga, nunca se envolvia em brigas, sempre ouvi falar bem dele”, comentou.

O patrão do CTG também foi testemunha do fato e disse conhecer muito bem a vítima e o pai do réu. “Fico muito triste com essa tragédia. No dia escutamos o barulho, eu estava na Copa e minha esposa contou que o “Gordo” (como era conhecida a vítima) tinha sido baleado. O pai do réu é meu conhecido desde criança. Ele tava lá no local no dia do fato, eu falei que tinha sido ele, que todo mundo tinha visto, não tenho nada contra ele, mas queremos Justiça, porque o Rafael morreu nessa tragédia. Ele tinha um faca que ele fez a bainha e estava sempre presa no cinto de gaúcho, ele cortava carne e outras coisas com faca que pedia emprestada (se referindo ao fato de ter sido falado em outras audiências que a vítima teria puxado uma faca contra o réu)”, concluiu.

Interrogatório

O acusado Patric Antecher da Silva contou que não atirou pelas costas. “Foi o Rafael que foi em minha direção, e disse: 'hoje tu vai'. O Rafael puxou uma faca pra mim, o primeiro tiro eu dei no chão, mas os outros atirei contra ele porque ele estava com uma faca”, informou.

O réu ainda disse que, antes do fato, o Rangel e alguns amigos teriam atirado pedras nele e em um amigo dele.

Manifestação

Familiares e amigos realizaram uma manifestação silenciosa em frente ao Fórum. Com cartazes, a família pedia justiça, após anos do fato ocorrido.

 

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