ANO: 25 | Nº: 6331

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
16/05/2019 João L. Roschildt (Opinião)

Doloroso III

Você sabe quem é a Mc Carol? Nunca escutou nenhum de seus magníficos funks? Caso seu cérebro e ouvidos tenham sido poupados dessa experiência, alegre-se, afinal, com toda certeza, sua vida encontra-se parcialmente mais otimista do que boa parte dos indivíduos que já passaram por aquele trauma musical.

Pois bem, nas eleições de 2018, Mc Carol pleiteou ser deputada estadual no Estado do Rio de Janeiro. Também conhecida como Carol Bandida, esse “macro” símbolo da cultura funk recebeu apoio explícito de sua correligionária, Manuela D’Ávila (PCdoB). Em um vídeo, “Manu” declara que “todo mundo conhece a Mc Carol [...], 100% feminista, uma mulher que tem a história das mulheres brasileiras: superação, muita luta e muita dignidade”. Ou seja, Mc Carol seria a condensação dos anseios dos comunistas cariocas. Mas “todo mundo” sabe que, no pensamento de esquerda, não há divórcio mais explícito entre o discurso e a prática. As músicas de Mc Carol são pródigas em reforçar estereótipos de objetificação da mulher, glorificar práticas ilícitas, estimular o uso de drogas e vulgarizar o sexo. Algo incomum no funk, não é mesmo?

Ao imaginar que uma mulher deva receber um cuspe na cara, deva ser esculachada, deva ser tratada com o delicado predicativo “piranha” e deva receber “porrada”, alguém pode imaginar algo mais feminista do que isso? Pois é Mc Carol que cantarola roucamente isso. Aliado a fatores que envolvem tráfico de drogas, uso de entorpecentes e palavrões que depreciam a condição humana, Mc Carol tem a história das mulheres brasileiras? Com muita dignidade? Eis o que predomina na esquerda política, com seus juízos de valor e suas desconstruções: algo que mereceria um estudo psiquiátrico aprofundado.

Mas Mc Carol também é uma catedrática, afinal, um pouco de reconhecimento da “intelectualidade” é necessária. No final do ano de 2015, ela participou de uma aula sobre “Interpretações do Brasil” na renomada Escola de Ciências Sociais da FGV, após convite da professora Angela Moreira. Conforme vídeos na internet, aos alunos, a funkeira cantarolou a música “Não foi Cabral” e simulou atos como se professora fosse. Obviamente que sua música foi entoada pelos discentes, e seu simulacro professoral foi efusivamente aplaudido. Novos tempos.

E você acha que Mc Carol parou por aí? Já em abril de 2019, ela foi convidada para palestrar na Brown University, nos Estados Unidos, a convite da Brazil Initiative do Watson Institute. Sua participação fez parte da conferência “Desafios à democracia brasileira”, evento que claramente visava estabelecer críticas ao governo de Jair Bolsonaro. Além de ter cantado funk em sua palestra, declarou que “mesmo cantando put****, Deus estava comigo”. No mesmo evento, também estiveram presentes os sorridentes autointitulados “exilados do governo Bolsonaro”: Márcia Tiburi, Jean Wyllys e Débora Diniz. Apesar de severos críticos do capitalismo, seus “exílios” foram para antros capitalistas. Fico imaginando a dor e o sofrimento destes três militantes...

Por conta dessa palestra na Brown University, a funkeira foi alvo de inúmeras críticas nas redes sociais. Como resposta, ela escreveu em seu Facebook: “Gente vão tomar no c*, vão?! [...] Vão estudar pra ser eu, um dia! Bjos!”. Com esse recado, talvez fosse recomendável abandonar imediatamente os estudos.

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