ANO: 25 | Nº: 6236
16/05/2019 Segurança

Investigação desarticula aliança entre detentos da PASC e faz maior apreensão de crack e cocaína da história de Bagé

Foto: Divulgação

Uma nova ação da dupla de detentos da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC), Tiago Rafael Leges Ferreira, conhecido como "Tiago Mochilão", e Marcos Diego Brignol Vaz, acusados de serem mandantes de uma série de crimes ocorridos na cidade, foi reprimida pela Operação Alliance, deflagrada, na noite de terça-feira, pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e o Setor de Inteligência e o Pelotão de Operações Especiais da Brigada Militar de Bagé. Tal trabalho resultou, aliás, na maior apreensão de cocaína e crack da história de Bagé.
A carga total de entorpecentes identificada foi avaliada em mais de R$ 1,5 milhão em valor de mercado – sendo 10 quilos de crack, 5,7 quilos de cocaína e seis quilos de maconha. Conforme a investigação, o montante seria suficiente para produzir até 100.000 pedras de crack, 11.400 porções de cocaína e 13.800 cigarros de maconha.
Investigação iniciou em março
No início da noite de terça-feira, agentes da Polícia Civil e da Brigada Militar deflagraram a "Operação Alliance", que investigava o tráfico de drogas comandada de dentro da PASC, pelos dois detentos de Bagé. Ambos os presos têm um longo histórico criminal e, desde que "Mochilão" foi transferido para a PASC, em setembro de 2018, de acordo com o divulgado pelas autoridades, fizeram uma aliança para unificar as ações criminosas na região.
Em março desse ano, então, uma ação policial integrada evitou uma extorsão mediante sequestro contra um empresário da cidade, que também foi ordenada pelo detento "Mochilão". Naquela oportunidade, um dos envolvidos – identificado como Taylon Medeiros – não havia sido preso, por ter fugido da cidade. A partir daí, iniciou-se um profundo trabalho de inteligência e acompanhamento do suspeito, para que a sua prisão pudesse ocorrer no momento mais propício para o combate ao crime organizado e o tráfico de drogas.
Anteriormente, em dezembro de 2018, a Draco já havia indiciado os dois detentos em um inquérito que investigou o assalto a um dono de joalheria de Bagé, que foi levado em seu veículo algemado e ficou várias horas detido, enquanto os criminosos roubavam seu estabelecimento.
Na época, o titular da Draco, delegado Cristiano Ritta, destacou que os presos comandavam a atividade criminosa e cooptavam adolescentes para auxiliar na preparação e organização do crime, realizando levantamentos fotográficos, acompanhamento das vítimas e participando das ações.
No dia 22 de dezembro de 2018, uma nova ação comandada pela dupla de detentos foi impedida pela Polícia Civil e a Brigada Militar. Eles planejaram um ataque contra duas joalherias localizadas no centro da cidade, na Avenida Sete de Setembro, aproveitando o período de véspera de natal. Naquele dia, 11 pessoas foram presas, além de uma grande quantidade de droga, armas, munições e material para abertura de cofres.
O titular da Draco destacou a operação de combate o crime organizado a partir de uma aliança feita entre dois grandes traficantes da região. "A Operação Alliance marca a forma de trabalho da polícia bajeense, com integração entre a Polícia Civil e a Brigada Militar, uma ampla rede de inteligência e investigação criminal especializada. Essa integração evitou, desde março, uma extorsão mediante sequestro, diversos roubos, e prendeu mais de 10 indivíduos ligados ao tráfico de drogas. A apreensão de hoje ainda desabasteceu dezenas de pontos de venda de droga distribuídos na cidade", sustentou.

Abordagens encontram entorpecentes
Na noite de terça-feira, os policiais estavam monitorando a residência do suspeito Medeiros, nas proximidades do Instituto Federal Sul-Riograndense (IFSul), quando identificaram uma motocicleta saindo do local. Na abordagem, os dois tripulantes – um homem e uma mulher – estavam transportando três quilos de crack e dois de cocaína. Após o flagrante, os policiais foram até a residência do suspeito e localizaram mais sete quilos de crack, três de cocaína, três balanças de precisão, além de R$ 57 mil em dinheiro, uma pistola calibre 9mm, um revólver calibre 38, munições de calibres 9mm e de fuzil calibre 5,56mm. A cocaína apreendida, de acordo com Ritta, possuía um selo para identificar sua qualidade superior, com maior pureza, denominada de "escama de peixe".
Os policiais também foram, na sequência, até uma república, localizada na avenida Presidente Vargas, apontada como um dos pontos de venda de drogas. No local, inclusive, foi apreendido um adolescente, com maconha e cocaína, além de uma balança de precisão. O jovem possuía antecedentes por tráfico de drogas.

Quatro prisões efetivadas
Ao longo da operação, foram presos, em flagrante, quatro pessoas. Eles foram identificados como Taylon Medeiros, Emanuelle Leonel, Iasmin Silva e Aucinton da Silva. O quarteto foi recolhido ao Presídio Regional de Bagé (PRB). Todos permanecerão à disposição da Justiça e devem responder pelos crimes de tráfico de drogas, organização criminosa armada, porte ilegal de arma de fogo, posse de munições de uso restrito e corrupção de menores. Se culpados em todas as ações, podem ter que cumprir penas que, somadas, chegam a 33 anos de prisão.

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