ANO: 25 | Nº: 6334

Marcelo Rodríguez

marcelo.errebe@gmail.com
Acadêmico de Jornalismo da Urcamp
17/05/2019 Caderno Ellas

As relações, às vezes, só precisam de um pouco de resiliência

Foto: Reprodução/Freepik

por Marcelo Rodríguez
Acadêmico de Jornalismo da Urcamp

Estamos acostumados aos amigos. A ter algum deles por perto sempre que acontece alguma coisa ruim ou quando queremos comemorar algo. Nos ensinaram que amigos são para sempre, que amizade “de verdade” não acaba por qualquer coisa. Vivemos com uma imagem egocêntrica dos amigos. Não que a gente não perceba quando “o amigo” precisa da gente. Mas é como se sempre o que acontece conosco ou o que sentimos deve ser priorizado pelos outros. Hoje, é um pouquinho mais pessoal. Sente aí, pegue um café e vamos fazer algumas reflexões despretensiosas.

Apesar de pessoal, não quero usar exemplos reais, somente situações hipotéticas, talvez. Todos nós, ao longo da vida, achamos que tínhamos encontrado aquela amizade verdadeira, inabalável, de muitas risadas cúmplices, de sofrimentos compartilhados. Mas, em determinado momento, tudo acabou. Por muitos motivos, ou por vários, enfim, acabou. E a gente sente isso como errado. Afinal, tinha que ser para sempre (como os contos de fadas nos ensinaram sobre o amor, também). Em definitivo, a gente não aprende a dar um fim nas coisas. A gente, simplesmente, espera que tudo siga igual.

Claro que tudo isso não tem um culpado ou culpada. É só fruto de múltiplas escolhas e de uma decorrência de acontecimentos. Mas está tudo bem. É necessário enfrentarmos isso. O seu café esfria, o cigarro termina, o sol desaparece. As coisas acabam, as relações também. Porém, nada é para sempre. Nem mesmo “o fim”. Até porque o sol volta amanhã. Hoje, eu vi amizades de alguns anos, e que, há algum tempo, tinham se tornado inimizades, recobrar o fôlego. Pessoas que nem se olhavam mais voltarem a se dar um abraço. Pessoas que ainda tinham gratidão pelo que fizeram umas pelas outras em algum outro momento.

No final é sobre isso, sobre resiliência. Na física, essa é a propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica. Mas, no sentido figurado, é a capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar às mudanças. É difícil, eu sei. Custa bastante entendermos isso na prática e aplicarmos a todas as situações da vida. Mas vale a pena. Afinal, sendo bastante clichê, e independentemente de sua crença ou fé, a gente não leva absolutamente nada dessa vida, não é mesmo?

Então, se tudo isso fizer sentido para você, aproveite hoje ou amanhã, na verdade, no seu tempo, para tentar entender o outro. Tanto faz se esse outro é um amigo ou uma amiga que você se afastou, há anos, um familiar com quem você teve desavenças, ou talvez um amor que acabou por algum motivo. Não quero dizer que vocês precisam reatar a relação e fingir que está absolutamente tudo como era antes. Mas sim tentar ficar numa boa, sem rancor. Esse sentimento acaba nos corroendo por dentro e despertando o pior que a gente pode ser.

Hoje uma amiga, com a qual tenho uma amizade impossível de mensurar de tão grande, no meio de uma situação em que tudo estava se “acertando” com outra pessoa disse algo que, sinceramente, eu quero e vou levar para a vida: “só quero que [...] a gente possa seguir adiante, não virar a página, porque isso não foi suficiente das outras vezes, mas trocar o livro”. Isso me levou a um conceito interessante. A vida não é como um livro. A vida é como uma biblioteca. Talvez a página de amanhã faça parte de um novo exemplar e tudo o que você pode fazer é escrever de forma diferente uma outra fase.

Isso vai dedicado às minhas amigas, amigos e amores que já passaram, que estão e que estarão (talvez de novo) na minha vida. 

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