ANO: 25 | Nº: 6383

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
18/05/2019 Airton Gusmão (Opinião)

Amar como Jesus nos amou

"Um dia, contou Madre Teresa, chegou um homem ao Lar dos Moribundos em Calcutá, sem proferir palavra. Limitou-se a passar pelas filas de camas e, quando voltou a sair, disse a uma das irmãs: 'Nunca acreditei em Deus, mas agora acredito que ele existe, porque só Deus pode oferecer tanto amor e tanta alegria às Irmãs num ambiente tão horrível" (Madre Teresa: uma vida maravilhosa, Leo Maasburg, pag. 220).
Neste quinto domingo do Tempo Pascal, Jesus sabendo que lhe resta pouco tempo com os seus, se despede deles, deixando-lhes uma 'herança espiritual': o novo mandamento do amor. O amor com que eles deverão amar-se está alicerçado no amor com que o Cristo os amou, e esse amor será também o critério para que se saiba que eles são discípulos de Cristo. É o que ouvimos no evangelho: "Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros" (Jo 13,34-35).
Mas, de que amor estamos falando? O que é o amor? "Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou-nos seu Filho" (1 Jo 4,8). A essência de Deus é amor e nós fomos criados à sua imagem e semelhança. E aqui é importante lembrar o que nos diz São Paulo sobre o amor: "Se eu não tivesse amor, nada seria. O amor tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (1Cor 13,2.7).
A palavra grega "ágape", em latim "caritas", é a chave que introduz no coração do cristianismo. Ela indica uma forma qualificada de amor que, além do sentimento, implica também respeito e estima, gratidão e doação. É um amor desinteressado que não espera recompensa; amor que perdoa; que ama os inimigos; que se compadece; que ama o outro pelo outro.
São Bernardo de Claraval dizia: "O amor subsiste por si mesmo, agrada por si mesmo e por causa de si mesmo. Ele próprio é para si mesmo o mérito e o prêmio. O amor não busca outro motivo nem fruto fora de si; o seu fruto consiste na sua prática. Amo porque amo; amo para amar".
Este é o amor de Deus por nós, Ele que nos amou por primeiro, assumindo a morte de cruz para nos salvar da morte eterna, enquanto éramos ainda pecadores. Por isso, se esse amor é um indicativo da essência de Deus que em si é amor (1 Jo 4,8), ele torna-se imperativo para nós, uma vez que somos chamados a ser filhos e filhas de Deus, irmãos e irmãs.
Portanto, não basta dizer: "Eu amo a Deus", se este amor não estiver traduzido em gestos, sinais, atitudes, práticas. E aqui é importante ter presente: "Se alguém disser: 'Amo a Deus', mas odeia o seu irmão, é um mentiroso; pois quem não ama seu irmão, a quem vê, a Deus, a quem não vê, não poderá amar" (1Jo 4,20). Não basta dizer que ama a Deus. É por isso que Jesus nos adverte: "Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos". Amar para os seguidores de Jesus é um mandamento, a ponto de a vivência do amor definir quem é e quem não é seguidor de Jesus.
Não se trata de amar de qualquer jeito, de amar pela metade, de amar apenas alguns, de amar esperando recompensa. O mandamento de Jesus é para nos desarmarmos e nos amarmos uns aos outros como ele nos amou. Amar de tal modo, que o mundo reconheça que somos discípulos de um Mestre que amou em palavras e gestos, que se aproximou de quem estava à margem, que buscou quem estava perdido, que perdoou a quem sofria o preconceito, que sofreu com os sofredores, que mostrou a misericórdia do Pai que ama sem limites.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade!

 

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