ANO: 25 | Nº: 6257

José Carlos Teixeira Giorgis

jgiorgis@terra.com.br
Desembargador aposentado e escritor
18/05/2019 José Carlos Teixeira Giorgis (Opinião)

Minuano, a origem

Foto: Reprodução JM

As páginas 6 e 7, centrais do MINUANO pioneiro de 1º de abril de 1994, são de enorme importância pela biografia de Tarcísio Taborda, ali recentemente falecido. O texto substancioso e informativo sobre a existência do principal historiador local, possivelmente elaborado por seu filho, Tiaraju, e Angelina, era ilustrado por numerosas fotos, algumas de âmbito familiar e afetivo (com as netas, os filhos e Neusa, sua companheira dos últimos anos), constituem peça relevante, completada por um perfil escrito por seu grande amigo Astrogildo Fernandes.
Em uma das páginas, Antônio Karam, em sua conhecida coluna "Amigo Velho", entristecia-se com o desaparecimento do Correio do Sul, louvando o novo periódico, esperançoso do progresso da indústria e comércio bajeenses. Sob o título "Espaço Livre", eram feitas breves comunicações: que o professor Nicanor Risch fora escolhido para vice-presidente da Fundação Attila Taborda e vice-reitor da Universidade da Região da Campanha, em substituição a Tarcísio; que a 1ª Vara Cível da comarca havia implantado o Projeto Conciliação sob a direção do doutor Tasso Delabary, e que o magistrado pretendia realizar audiências de 10 minutos, selecionando 10 processos da área de direito de família entre as 300 demandas existentes; que se realizaria no Clube Comercial de Dom Pedrito o II Seminário de Pastos, Pastagens e Suplementares, com a presença de institutos similares do Uruguai e Argentina; também, em Dom Pedrito, eram convidados agrônomos e veterinários para curso e treinamento pelo Senar; e que o Senac-Bagé promovera no ginásio Presidente Médici uma demonstração de uso correto de extintores de incêndio através de palestras e práticas a que compareceram servidores dos quartéis e da empresa Paramount Lansul.
A página 8, esportiva, era ilustrada com foto de dirigentes do Grêmio Bagé (entre eles reconhece-se o doutor Paulo Machado), e sob o título" O Bagé pode ficar entre os 14", anunciava-se novo uniforme, contando que após oito anos de ausência da Gauchão, o time havia se comportado bem nas três rodadas iniciais de 94, sob a conduta de Édson Machado. A equipe jalde-negra era formada por Sandrini, Edinho, Paulão, Olavo e Zura; Luís Gustavo, Tonho e Volmir; Ademir Veiga, Paulinho e Mil. O zagueiro Bicudo fora expulso em partida anterior contra o Internacional, no Beira-Rio, onde o colorado ganhara por 1X0. O Guarani, sob o título, "Guarani confia na vitória" e foto da equipe da época, iria jogar em casa contra o Arroio Grande, tendo sido, antes, derrotado pela seleção russa por 1x0, empatado com o Grêmio Santanense, derrotado pelo Grêmio por 2X0, empatado com a seleção de Rivera (1X1) e perdido para a seleção de Rosário do Sul. Havia campanha de sócios, sob o comando do diretor Heráclito Moreira, que seriam divididos em categorias com vantagens peculiares. Depois do jogo contra o Arroio Grande, o Guarani viajaria para a Argentina para jogos em Buenos Aires e Córdoba, valendo a excursão 15 mil dólares. No jogo pelo campeonato gaúcho, estrearia o zagueiro Hélio, oriundo do Brasil de Pelotas. Essa página ainda contava sobre o quinto Torneio de Polo, promovido pelo Círculo Militar e que acontecera no campo de instrução general Osório, de que participaram equipes militares e civis de Rivera, Melo, Quaraí, Uruguaiana, Jaguarão, Porto Alegre e Bagé. Venceu a equipe uruguaia de Rivera, vice-campeã equipe Sarandi. Um coquetel de confraternização foi oferecido aos polistas bajeenses na residência de Flávio Cantão. Houve, ainda, um jantar no Clube Comercial juntamente à "Confraria" dos camaradas de cavalaria e também boate em homenagem ao torneio.
A página 9, dedicada à Páscoa, se compunha de um artigo de Stela Vasconcellos, intitulado "Amor ou Chocolate", prenunciando "que "para viver uma Páscoa gostosa e feliz talvez o brasileiro não precise mais que um entendimento global de si mesmo" pois "se uma área está superlotada, é preciso preencher a outra, dividindo as atenções". Escrito chamado "Educação para o Futuro" falava de um encontro de 300 crianças carentes dos bairros Nova Alvorada, Malafaia, Damé e Prado Velho no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. Houve almoço organizado por um grupo de pais, alunos, professores e funcionários. À tarde, torneios esportivos e um lanche comunitário. Ao voltarem para casa as crianças foram brindadas com cesta de Páscoa. Para a direção do Colégio fora "uma Páscoa inesquecível". Também na página, sob o título "Maria Torres dá um toque", uma breve biografia da solitada confeiteira, que ali ensinava uma receita de "Bolo Pavê".
Na folha cultural, p.10, sob o rótulo "Um homem sem fronteiras" o jornal entrevistava Luís Coronel que comentava sobre seus livros recentes "Poerótica", "Pirâmides Noturnas" e "Os Bichos". Ao ser questionado sobre o momento pessimista atravessado por Bagé, refutava que " os problemas de Bagé são criados pela própria sociedade. A terra é fértil e rica. Essa terra dá frutos até sem querer. Basta resolver algumas questões relativas a trabalho profissional. Bagé precisa restaurar os sinos de sua catedral para que os sinos batam de novo com alegria. Bagé é uma sociedade fadada ao sucesso. O pessimismo é um homem que não casa por medo da viuvez. Uma cidade que sabe pensar, uma cidade inteligente como Bagé não merece os pessimistas. Com o Jornal MINUANO, Bagé poderá pensar na sua terra, sentir sua terra e fazer sua terra", arrematava o poeta. Também na página havia um "Roteiro" com bailes e boates nos Clubes Comercial, Caixeiral e Recreativo, nos bares Barô, Extra e Barraca Clube. Também a Urcamp noticiava a abertura das matrículas nos cursos de pós-graduação em Gerenciamento e Estudos Energético-Ambientais, em sua segunda realização sob o encargo do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais e Energia, destinado especialmente a Bagé, Candiota e Caçapava.
Na página 11, alardeando seus 14 anos de jornalismo, Gilmar de Quadros, como se cuidava de um início, aproveitava para ditar sua "Carta de Princípios, que iluminaria a caminhada com respeito da linguagem e montagem da parte social, sublinhando que ali se conteria a nota mundana, mas também a nota crítica, cultural, política e econômica, o apelo ao público e às autoridades, enfatizando que o colunista era um jornalista porta-voz do veículo exibidor de sua coluna e o que escreveria também teria foros de sua opinião pessoal, "o êxito pessoal é uma constante da crônica social: todos os jantares são bem sucedidos; todas as damas são elegantes, todos os homens estão bem acompanhados", sendo a crônica, ao mesmo tempo, "poesia, ensaio, crítica, registro histórico, o factual, o flagrante, o miniconto, o retrato, o testemunho, a opinião, o depoimento, a análise, a interpretação, o humor". O local narrava o concorrido coquetel oferecido pelos casais Flávio/Dulce Cantão e Ronaldo/Stela Cantão pelo torneio de polo; e fotos de Stela, Dulce, Marta Candiota, Ana Maria Delabary e Márcia Gul; Fernando, Gustavo e Boris Delabary, Maurício Dutra; generais Cantão e Candiota e Flávio Dutra (de Jaguarão); Aluísio e Cássia Cantão e Fernando Gul (todas fotos de Cláudio Bergeman). Também ali, sob o título "Bodas de prata na moda", Gilmar festejava os 25 anos de dedicação à moda de Milka Wolf, referindo o desfile que se realizaria, em breve, na Fonte Luminosa da Praça da Redenção, em Porto Alegre. Ainda com foto da aniversariante, Gilmar referia os "15 anos" de Márcia Moglia Suñe, que revelava seus gostos em entrevista: aluna do 2º grau do Colégio Franciscano Espírito Santo, "atualizada e dona de si"; música romântica, Marina e Caetano; Lima e Regina Duarte; vôlei, já "tendo sido até convidada para jogar em time paulista"; sinceridade nos relacionamentos; a orquídea, como flor de afeto; perfume "First"; adoração pela família, onde "minha mãe é minha melhor amiga, "somos amigas para valer". Nas boas lembranças da infância estava o convívio com o avô Mário Suñe. Atravessava seu grande momento: os 15 anos.
A última página continha longo texto sobre "A quebra na produtividade do arroz", narrando os efeitos da chuva, a área plantada em Bagé (21 mil hectares, sendo 18 mil no município), representando a cultura 20 milhões de dólares no PIB local, sendo que a pecuária não ultrapassava 12,5 milhões de dólares.
Ao lado, um artigo "O resgate da autoestima", de autoria do Ecoarte, dizendo que 20 pessoas se juntaram para "pensar Bagé" ante a crise do município, e que adotaram no final o lema "por uma ecologia social", com novas formas de solidariedade; lógica da comunicação e o imaginário da sociedade nascente. E que, além do Homem Econômico e do Homem Político existe o Homem Ético, devendo privilegiar-se o próximo, a família, o cotidiano e a partilha do sentimento, cabendo à vida social "ser constituída por uma sucessão de 'nós' com regras e modos específicos";
Por último, ao pé da página, estava o programa 18ª Semana Crioula Internacional que começara no dia 27 de março e que iria até o fim da semana, no Parque da Associação Rural, sob a coordenação geral do vice-prefeito Sapiran Brito, coordenação tradicionalista de Walter Cabral Quadros e coordenação artística de Álvaro Corrêa dos Santos. Torneios de laço e rédeas, gineteadas, paleteadas, concurso de aporreados, declamação, violão, trova e interpretação eram anunciados. E espetáculos com Maria Luíza Benites, José Paulo Machado e Adair de Freitas, tudo culminando com um grande baile animado por João Almeida Neto e Grupo Rodeio. Para a peonada, baile com José Cláudio Machado e Grupo Chamamé.
Nesse primeiro exemplar contribuíram com publicidades Clínica Osório de Medicina Ortomolecular, Imobiliária Macedo, Globo Livraria e Papelaria, Servan Serviço Médico, Centro Integrado de Pediatria, doutor Danilo Fernandez Ferreira, Jarbas Acevedo, Comprador de Gado para Invernar Antônio Carlos, Pampa Remates Ltda., Leiloeira Terra Negra, Salão do Automóvel, Sistema Engenharia, Café Aceguá, Frigorífico Casarin e Edgar Representações, Clube Caixeiral, Mello Móveis, Sexta de Ouro, Festa e Cia e Nory Boutique.
- Longa vida ao MINUANO!

Fonte: Minuano, nº 1, ano 1, Edição Especial, 01 a 07 de abril de 1994 (acervo do autor).

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