ANO: 25 | Nº: 6361
22/05/2019 Opinião

Sangue real português em Bagé

Jayme Collares Neto
Escritor

Uma curiosidade interessante: milhares de bajeenses são descendentes diretos dos dois primeiros reis de Portugal. E, como todos os reis de Portugal e imperadores do Brasil são descendentes diretos do primeiro rei, então é igualmente correto afirmar que milhares de bajeenses são, também, "primos" de todos eles – inclusive de Dom Pedro I, Dom Pedro II, a princesa Isabel etc.
Quem são esses bajeenses? Bem, por enquanto só conhecemos prova com relação aos que têm sobrenome Jardim ou Azambuja, ou que têm um antepassado Jardim ou Azambuja.
Essa prova está no livro De Gênova ao Brasil, publicado em Petrópolis em 2002, de autoria de Francisco Antônio Dória, Professor Emérito da UFRJ, membro do Colégio Brasileiro de Genealogia e da Academia Brasileira de Filosofia.
Nesse livro, no final da página 20, na nota de rodapé, aparece o nome de Hierônimo Dornellas de Menezes, referido como "o patriarca de Viamão" – que não é outro senão Jerônimo de Ornellas, um dos primeiros povoadores do Rio Grande do Sul, famoso por ter sido o primeiro proprietário dos campos onde atualmente se ergue a cidade de Porto Alegre.
Ali mesmo se lê que Jerônimo de Ornellas teve uma filha casada com Francisco Xavier de Azambuja, e, na página seguinte, se lê que outra de suas filhas se casou com Agostinho Gomes Jardim.
Ora, esse Francisco Xavier de Azambuja foi o avô do Jerônimo Xavier de Azambuja que, no começo do século XIX, foi proprietário da Estância das Tunas, aqui na Bolena, sendo o tronco dos Azambuja de Bagé.
Por sua vez, Agostinho Gomes Jardim foi o pai de Angélica Gomes Jardim, que foi casada com o capitão João Gonçalves Rodrigues, que morreu na Guerra do Paraguai. Dele ela teve uma filha de nome Senhorinha, casada com Gaspar José dos Santos Menezes, que foi o primeiro proprietário dos campos onde atualmente fica a Estância Santa Margarida, no Banhado Grande. Esse Gaspar José dos Santos Menezes se tornou um dos troncos dos Jardim de Bagé porque todos os seus filhos tiveram por sobrenome Santos Jardim, e passaram o Jardim, não o Santos, para seus descendentes; por exemplo, seu filho João Gaspar dos Santos Jardim foi pai de João Gaspar Jardim, que por volta de 1926 foi para as Palmas, tornando-se o tronco dos Jardim lá atualmente existentes.
Naturalmente, existem outros troncos Jardim e Azambuja além dos acima referidos, não apenas em Bagé como em todo o Rio Grande do Sul. O que afinal conta é que, se o leitor tem algum dos pais, avós, bisavós, trisavós etc. Jardim ou Azambuja, ou se, por via de qualquer outro ancestral, já descobriu que é descendente de Jerônimo de Ornellas, poderá baixar o livro de Dória da internet, no endereço www.buratto.net/doria/CostaDoria.pdf, e, partindo da página 20, "subir" a ascendência até deparar, na mesma página, com o nome de um primeiro ilustre antepassado, o navegador Tristão Vaz, que descobriu a Ilha da Madeira em 1419; na pág. 12, com o nome de Branca Dória, que morreu em 1325, e cuja alma, segundo Dante Alighieri, está no quinto dos infernos (Divina Comédia, Inferno, Canto XXXIII, versos 109-150); na pág. 132, com D. Sancho I, que foi rei de Portugal de 1185 até sua morte em 1211; e, enfim, com inúmeros outros antepassados diretos menos conhecidos, porém muitas vezes não menos interessantes.

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