ANO: 25 | Nº: 6334

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
23/05/2019 João L. Roschildt (Opinião)

Nem é gente

Na individualidade, somos efêmeros e insignificantes. Na coletividade, eternizamos nossa estupidez. O homem que rompe com o destino funesto da primeira condição, alça voo sobre os indistintos ignóbeis e perpetua-se no panteão da sabedoria social.

Inchados no meio das massas, comportamo-nos como gigantes amassando anões. Fora dela, encontramo-nos no ostracismo da solidão, tão frágeis quanto verdadeiramente humanos. O mesmo ser humano que, em uma congregação, reunião festiva, estádio de futebol ou em uma manifestação política, extasia-se na barbárie dos piores instintos, ao encontrar-se isolado, esconde-se no anonimato das suas insuficiências.

Após ter sido decretado, por parte do Ministério da Educação, que haveria um contingenciamento nas verbas destinadas a universidades e institutos federais, parte da "resistência orquestrada" se mobilizou para "defender" a pauta da educação. Lideranças e títeres de partidos políticos, críticos ao governo Bolsonaro, foram às ruas, no dia 15/05/2019, e marcharam em prol de um "mundo melhor". Os omissos de outras épocas apareceram envoltos de suas naftalinas ideológicas. Apesar de pregarem que era um movimento independente de cartilhas partidárias, sobraram tons de vermelho em seus panos. Nem mesmo houve novidade na mentira.

No mesmo dia, o portal G1 publicou uma reportagem com fotos de manifestantes portando seus significativos cartazes contrários àquela política de bloqueio de verbas. Em uma das inúmeras fotografias divulgadas, um dos partícipes ostentava seu cartaz com os seguintes dizeres: "Professor que vota no Bozo nem é gente". Pronto! Se algum professor ousou escolher Jair Bolsonaro, o "Bozo", nas últimas eleições presidenciais, saiba que a ideia de humanidade, que atravessa a existência de todos os seres humanos, lhe foi retirada. Nada mais óbvio na amplitude da esquerda política, visto que não ser reconhecido como "gente" é a última etapa que permite a eliminação dos inimigos políticos.

Caso isso fosse uma mera situação isolada de algum desajustado social, não haveria maior relevância. Todavia, não é preciso esforço algum para elencar intelectuais, teóricos e práticas políticas da esquerda, que embasam aquela afirmação. O esquerdismo é pródigo nisso: apesar do marketing em torno do discurso de paz e amor, ele não consegue passar nos testes da razão. A sua ideia maquiada e fajuta de democracia termina quando começa a democracia.

Ainda sobre as manifestações, "bombou" nas redes sociais a foto do estudante de Pedagogia Hueslei Cerqueira. Nela, o rapaz segura um cartaz com a frase "o único corte que eu quero" seguido de um desenho de um homem de terno com a faixa presidencial e com a cabeça decepada. Não faltaram gotas de sangue para ilustrar o desenho. Nada mais óbvio dentro da longa história dos guerreiros da justiça social: aos inimigos, resta-lhes o extermínio moral e físico.

O fato é que se alguém não é categorizado como "gente", não há impedimento moral para seu sacrifício. Ofertar o corpo do opositor para a divindade "causa esquerdista", em nome da crença "ideologia", faz com que o "justiceiro social" acredite estar acessando o divino. As manifestações dessa estirpe funcionam como rituais das seitas políticas que visam expurgar os "infiéis" do mundo. E eliminar os que não são "gente". Longa vida à democracia!

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