ANO: 26 | Nº: 6526

Viviane Becker

viviminuano@hotmail.com
Colunista social do Jornal Minuano, Viviane Becker é experiente jornalista de geral e conhecida editora do caderno de variedades Ellas.
24/05/2019 Caderno Ellas

Um pedaço português em pleno Uruguai

Foto: Edgardo W. Olivera/Especial JM

por Marcelo Rodríguez
Acadêmico de Jornalismo da Urcamp

No mês passado, mostrei a apaixonante Buenos Aires. Daquela vez, eu disse que existiam dois caminhos e que essa escolha seria determinante para saber a distância até lá. Uma opção é só pela rodovia, mas há outra alternativa. É possível ir por estrada, até o litoral uruguaio, e atravessar o Rio da Prata de barco. Mas eu não vou falar, de novo, sobre a capital argentina. Quero mostrar o que tem antes. Vamos conhecer Colônia do Sacramento. Uma cidade uruguaia, fundada pelo Império Português, e que fica a cerca de 620 km de Bagé.

A cidade tem origem na antiga Colônia do Santíssimo Sacramento, fundada pelo então governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, Manuel Lobo, atendendo os interesses da Coroa Portuguesa de estender as fronteiras da sua colônia americana até o Rio da Prata. Então, em janeiro de 1680, foi erguida uma fortificação, em frente a Buenos Aires, que estava na margem oposta do rio. O lugar passou a ser motivo de disputa com a Coroa Espanhola. Com o tempo, a nova cidade se tornaria peça chave para o comércio entre os reinos.

Colônia do Sacramento possui uma relevância histórica imensurável para a região. Sua fundação permitiu a abertura de mercado consumidor de gado, couro e carne salgada nas Minas Gerais, e gado muar posteriormente, o que determinou o desenvolvimento da pecuária na Capitania do Rio Grande de São Pedro, hoje Rio Grande do Sul. Essa importância é reconhecida, inclusive, pela Unesco. A área onde se localiza a fundação portuguesa faz parte do Centro Histórico da atual cidade e é considerada como Patrimônio da Humanidade.


Calle de los Suspiros


É o calçadão mais emblemático do Centro Histórico. Seus casarões portugueses do século 18, suas luminárias coloniais, suas velhas ruas de pedra e sua vista ao Rio da Prata, convertem-na em um lugar sonhado, parado no tempo, carregado de lendas e romantismo.


Farol e ruínas do convento São Francisco


O Convento São Francisco foi uma das construções mais antigas (1690), mas um incêndio no início do século 18 destruiu o prédio quase por completo. Em suas ruínas, foi construído um farol para iluminar as embarcações, no século 19. Hoje, é um dos pontos que mais atrai turistas.


Puerta de la Ciudadela


A fortaleza construída pelos portugueses tinha só uma entrada, o portão de armas, decorado com o brasão. A muralha foi demolida no século 19 e as pedras usadas para cobrir o fosso. No século 20,  parte da muralha e do portão foi reconstruída com pedras recuperadas. É uma das postais da cidade.


Plaza de Toros


É um imponente edifício em ruínas, construído no início do século 20, por um empresário argentino. Dois anos após sua construção, em 1912, as corridas de touros foram proibidas e o lugar foi abandonado. O prédio está fechado por risco de queda, mas a parte de fora é muito visitada por turistas.


Preservação da história


É possível conhecer e viver o passado da cidade através dos museus Municipal, Espanhol, Português e do Azulejo. Há outros lugares preservados, como as casas do Governador, de Nacarello, de Lavalleja e do Vice-Rei, além do Arquivo Municipal. As várias praças da cidade também contam muito da sua história.

Mais imagens

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias do caderno

Outras edições

Carregando...