ANO: 25 | Nº: 6382

Divaldo Lara

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27/05/2019 Divaldo Lara (Opinião)

Experiências de vida que levo para Prefeitura

Na quarta-feira, visitei o espaço do Lar Santo Estevão, que por mais de 20 anos foi liderado pela vereadora Sonia Leite e que, agora, através da Prefeitura, está sendo transformado na Casa dos Irmãos Santo Estevão.
Pelo histórico de acolhimento do local e em respeito a um trabalho magnífico, realizado por muitos anos, mantivemos o nome. A proposta, agora, é um pouco diferente, mas de um significado, para mim, muito grande, pois abrigará irmãos que estejam em estado de vulnerabilidade. Para melhor entendimento, hoje, quando há a determinação de separação de crianças dos pais, pelos órgãos que cuidam das nossas crianças, meninos são direcionados para a Casa do Guri e meninas, para a Casa da Menina. Isso representa um trauma ainda maior do que a separação dos pais, pois separa dos irmãos também, isolando a criança de qualquer contato já preestabelecido de carinho, afeto com parentes próximos.
O Lar dos Irmãos Santo Estevão, que vamos inaugurar em, aproximadamente, 30 dias, revoluciona a prática exercida até hoje. É questão de sensibilidade, de quem convive com os problemas de perto. Não sou prefeito de gabinete, gosto de estar em contato com as pessoas, saber de suas necessidades, pois muitas delas, eu vivenciei, na prática, durante uma infância em que minha família passou muitas necessidades. E, quando há a necessidade real e pessoas próximas também enfrentando problemas, há a ajuda mútua, em diversos aspectos.
Esse olhar, que aprendi a ter ainda muito cedo e na prática, é o que levo também para o setor público, orientando todos nossos colaboradores a atender da forma mais humanizada possível, pois não sabemos os percalços que cada pessoa está passando na vida. Empatia é a palavra de ordem, colocar-se no lugar do outro.
Outro caso semelhante e que tem trazido lembranças de infância, é a entrega dos uniformes nas escolas, cujo kit agora é formado por calça, camiseta, jaquetão e meia. Quanto orgulho de poder retribuir, com peças de qualidade e bem quentinhas para nossas crianças, gestos que foram feitos por mim, quando criança. Quantas vezes contei com o suporte de vizinhos e campanhas para poder me abrigar e ir para à escola. E uma das lembranças mais claras que tenho dessa época era o frio nos pés.
Essa semana estive na Emei Frederico Petrucci e, ao vestir a aluna Maria Clara com as peças, me chamou atenção quando ela disse, "quero vestir a meia da escola". Lembrei e quase senti o frio de outrora, neste momento, e me emocionei.
Estamos entregando as peças em cada uma das escolas e todas receberão o kit completo. São cerca de 13 mil alunos no total, incluindo os alunos da EJA (Educação para Jovens e Adultos), que passaram a receber as peças desde o ano passado, pelo nosso governo.
Sigamos assim, no rumo da proteção, seja do frio vindo do clima ou sensível às causas de nossas crianças, sempre nos colocando no lugar de quem vivencia o dia a dia. Esse é o segredo para um trabalho bem feito e humanizado.

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