ANO: 25 | Nº: 6256

Cássio Lopes

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27/05/2019 Cássio Lopes (Opinião)

Tino Madeira

Justino Madeira nasceu em 18 de abril de 1901, em Rio Negro, atual Hulha Negra, filho de Manoel Madeira e Ignácia Madeira, numa família de nove irmãos. Foi casado com Leontina Dourado, com quem teve a filha Cecy. Homem simples, das lides do campo, não chegou a ser alfabetizado, tendo aprendido apenas a assinar seu nome, mas, tinha uma característica ímpar: sabia fazer contas com extrema agilidade, já demonstrando o grande tino comercial.
Começou suas atividades no comércio comprando gado e abatendo para comercializar no açougue de sua propriedade em Hulha Negra. Tempos depois, construiu as instalações de um matadouro, podendo, então, aumentar a produção. Mais tarde, começou a comprar eucaliptos e, após o corte, comercializava a lenha em Bagé, para a antiga Cicade. Outro empreendimento seu foi a extração de carvão mineral em Hulha Negra, tanto em terras de sua propriedade, como arrendadas. O transporte desse carvão se dava por via férrea, com o carregamento próximo as carvoeiras, no local denominado Desvio São Geraldo.
Desde essa época, sempre estimulou seus dois netos, Ana Luíza e Justino Henrique, a estudarem e a acompanharem o seu trabalho. Muito cedo, eles o acompanhavam na medição de lenha, ou então aprendendo a fazer o caixa no estabelecimento comercial. Com esse espírito empreendedor, iniciou a plantação de eucaliptos em sua propriedade, também explorados após o corte.
Algum tempo depois, começou a investir na formação de um grande pomar, com uma diversidade muito grande de frutas, principalmente cítricos, assistido pelo engenheiro agrônomo Nicanor Antônio Rish, seu amigo de longa data. Esse pomar contava com 1.360 pés de frutíferas, consorciado com extensa plantação de morangos. Parte da produção dele era comercializada em Hulha Negra, outra parte, presenteada a amigos, gesto que talvez fosse o seu maior prazer. Esse fato ainda é lembrado por muitas pessoas, que já conheciam quando ele passava no seu jipe: acionava a buzina e logo ia descendo com cestas ou sacos cheios de frutas.
Desde o início de suas atividades, contou com a ajuda de sua esposa e filha, esta última atuando na parte da contabilidade. Contava com três empregados fixos, na quinta, no matadouro e no açougue e uma quantidade maior, variável no corte de lenha e extração de carvão, tendo, em algumas épocas de safra, mais ou menos trinta e seis funcionários.
Homem desprendido, com caráter firme, sempre disposto a ajudar quem precisasse, sua memória é lembrada até hoje, tanto pelos que conviveram com ele, como pelos que ouviram contar a sua história. Faleceu a 31 de janeiro de 1984, deixando esposa, filha, netos e os bisnetos: Rodrigo, Fernanda e Ricardo.

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