ANO: 25 | Nº: 6308

Dilce Helena Alves Aguzzi

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
28/05/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

O amor não aguenta tudo

Muito se fala e se idealiza a respeito do amor, este elo universal capaz de ligar pessoas e construir pontes em distâncias inimagináveis. Tanto se atribui ao amor que acabamos por exacerbar e superestimar seu poder.
Amar é uma capacidade humana e, como tal, também é imperfeita e limitada. Sim, o amor tem limites. Algumas vezes, pessoas, não reconhecendo essas limitações, julgam acontecimentos por este ângulo: Se fosse amor teria resistido, se amasse de verdade não faria o que fez, teria compreendido mais, dado valor, perdoado, procurado, corrido atrás, insistido... Como se o mundo dos sentimentos e relacionamentos fosse fácil, coerente ou seguisse um manual de instruções. Seja amor romântico, entre familiares ou amigos o fato é que nos impõe revisão constante e uma boa dose de autoconhecimento.
Na verdade, penso que as histórias de amor como se convencionou chamar são muito mais histórias de outros atributos humanos, tais como inteligência emocional, capacidade de tolerar a imperfeição própria e, por conseguinte, a alheia e vontade de crescer juntos, do que história de amor propriamente ditas. Lógico, sem o sentimento básico que une, não adiantaria ter todas essas qualidades. Entretanto, o amor sozinho, sem bagagem, sem estrutura que o dê suporte não consegue muita coisa e dificilmente vai longe.
Fica a dica. O amor suporta e até cresce ante muitas adversidades, porém costuma fraquejar ou morrer sufocado na presença constante de:
- Dificuldade de dialogar quando as divergências surgem e elas sempre surgem, vale a pena aprender a conversar, falar o que pensa e sente e aprender a ouvir sem julgar.
- Imposição do ritmo de uma pessoa sobre a outra, cada um tem seu próprio compasso e jeito de ser, amar alguém não nos torna iguais ao outro, nem acelera nossa evolução individual. Tudo a seu tempo.
- Gostar muito de alguém não substitui a presença física, o sentimento expresso de alguma forma, seja palavras, gestos ou tempo passado juntos é essencial. O sentir é abstrato, necessita de ações coerentes para se pronunciar no mundo concreto. Amar não combina com preguiça ou avareza afetiva.
Falta de perdão. É indispensável para a saúde amorosa tanto aprender a reconhecer nossos erros e pedir desculpas quanto desenvolver o desejo sincero de perdoar, caso contrário o coração vai colecionando pesos e marcas profundas de momentos ruins o que acaba expulsando o sentimento positivo de amor e boa vontade com o relacionamento por pura falta de espaço afetivo.

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...