ANO: 25 | Nº: 6377
30/05/2019 Felipe Valduga (Editorial)

Não é pelo preço, mas pelo imposto


Uma ampla gama de postos de combustíveis do Rio Grande do Sul se unem, a partir de hoje, dentro de uma agenda que busca exaltar a carga tributária inserida em mercadorias e serviços oferecidos no Brasil. Em Bagé, aliás, dois estabelecimentos estarão engajados na iniciativa, vendendo parte dos seus estoques de gasolina, e de forma limitada por veículo, a R$ 2,50 ao litro. Mas é preciso atentar que não se trata de uma mobilização ao custo final, muitas vezes questionado pelo consumidor final, mas que tem ligação.

Entrevista publicada nesta edição, com o presidente da Associação da Classe Média (Aclame) - uma das organizações responsáveis pelo ato deste dia 30 -, Fernando Bertuol, destaca que, na atualidade, os brasileiros pagam mais de 90 tipos de tributos ao governo. E nada contra tal taxação, já que muitas vezes é a partir dela que serviços como saúde, educação e segurança pública são viabilizados. A questão, de fato, é: até que ponto há um retorno? Ou melhor: em que proporção tais cobranças são necessárias?

O caso é que nem todos os serviços prestados pelo setor público são satisfatórios. E dificilmente serão em algum momento, em parte por uma demanda cada vez mais crescente, impulsionado pelo simples aumento do número de habitantes. Mas, por outro lado, é preciso, sim, ser avaliado se o atual panorama de cobrança é o ideal. Até porque, caso isso não seja efetivo, o reflexo é negativo para a própria população, que acaba pagando muito para receber pouco em contrapartida.

Neste momento da política, em que muito se fala em reformas, é possível apontar que a reavaliação da carga tributária deveria ser a mais oportuna. Até porque atinge a todos os brasileiros, sem exceção alguma, e a todo o momento. Um dado interessante apontado por Bertuol, por exemplo, é que a conta de luz, no Rio Grande do Sul, é a mais cara do Brasil, com 48,28% motivado pela inserção de impostos. Será este percentual, de fato, o ideal? É preciso, no mínimo, fazer a conta. E por quem comanda estes tributos.
A gasolina, o assunto de hoje, não fica longe das demais elevadas cargas tributárias. Em Bagé, por exemplo, o preço que será cobrado hoje, sem imposto, é mais da metade do cobrado diariamente. Enfim, o movimento é pelo imposto.

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