ANO: 25 | Nº: 6334

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
01/06/2019 Airton Gusmão (Opinião)

Dia Mundial das Comunicações Sociais

Iniciando o mês de junho, celebramos neste domingo a Solenidade da Ascensão do Senhor e o 53º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Com o tema: "Somos membros uns dos outros (Ef 4,25): das comunidades de redes sociais à comunidade humana", trazemos alguns trechos da mensagem do Papa Francisco para este dia.
"Hoje, o ambiente dos 'mass-media' é tão invasivo que já não se consegue separar do círculo da vida quotidiana. A rede é um recurso do nosso tempo: uma fonte de conhecimentos e relações outrora impensáveis. Mas, numerosos especialistas destacam também os riscos que ameaçam a busca e a partilha duma informação autêntica à escala global. A internet constitui uma possibilidade extraordinária de acesso ao saber; também se revelou como um dos locais mais expostos à desinformação e à distorção consciente e pilotada dos fatos e relações interpessoais.
É necessário reconhecer que, se por um lado, as redes sociais servem para nos conectarmos melhor, fazendo-nos encontrar e ajudar uns aos outros, por outro, prestam-se também a um uso manipulador dos dados pessoais, visando obter vantagens no plano político ou econômico, sem o devido respeito pela pessoa e seus direitos.
Reconduzida à dimensão antropológica, a metáfora da rede lembra outra figura densa de significados: a comunidade. Que é tanto mais forte quando mais for coesa e solidária, animada por sentimentos de confiança e empenhada em objetivos compartilháveis; o que requer a escuta recíproca e o diálogo, baseado no uso responsável da linguagem.
Nas comunidades de redes sociais, frequentemente, permanecem agregados apenas indivíduos que se reconhecem em torno de interesses ou argumentos caracterizados por vínculos frágeis; e, muitas vezes, a identidade funda-se na contraposição do outro, à pessoa estranha ao grupo: define-se mais a partir daquilo que divide do que daquilo que une, dando espaço à suspeita e à explosão de todo o tipo de preconceito (étnico, sexual, religioso e outros); o que alimenta grupos que excluem a heterogeneidade, um individualismo desenfreado, acabando, às vezes, por fomentar espirais de ódio.
A rede é uma oportunidade para promover o encontro com os outros, mas pode também agravar o nosso autoisolamento. Os adolescentes é que estão mais expostos à ilusão de que a social web possa satisfazê-los completamente a nível relacional, até se chegar ao risco de se alhear totalmente da sociedade.
Essa realidade multiforme e insidiosa coloca várias questões de caráter ético, social, jurídico, político, econômico, e interpela também a Igreja. Enquanto cabe aos governos buscar as vias de regulamento legal para salvar a visão originária duma rede livre, aberta e segura, é responsabilidade ao alcance de todos nós promover um uso positivo da mesma.
A metáfora do corpo e dos membros (Ef 4,25) leva-nos a refletir sobre a nossa identidade, que se funda sobre a comunhão e a alteridade. Como cristãos, todos nos reconhecemos como membros do único corpo cuja cabeça é Cristo. Isso ajuda-nos a não ver as pessoas como potenciais concorrentes.
Uma tal capacidade de compreensão e comunicação entre as pessoas humanas tem o seu fundamento na comunhão de amor entre as pessoas divinas. Deus não é Solidão, mas Comunhão; é Amor e, consequentemente, comunicação, porque o amor sempre comunica. Para comunicar conosco e Se comunicar a nós, Deus adapta-Se à nossa linguagem, estabelecendo na história um verdadeiro e próprio diálogo com a humanidade.
Criados à imagem e semelhança de Deus, que é comunhão e comunicação-de-Si, trazemos sempre no coração a nostalgia de viver em comunhão, de pertencer a uma comunidade. O panorama atual convida-nos a investir nas relações, a afirmar – também na rede e através da rede - o caráter interpessoal da nossa humanidade. A própria fé é uma relação, um encontro.
É precisamente a comunhão à imagem da Trindade que distingue a pessoa do indivíduo. Para ser eu mesmo, preciso do outro. O termo pessoa conota o ser humano como 'rosto', voltado para o outro. O caminho autêntico de humanização vai do indivíduo que sente o outro como rival para a pessoa que nele reconhece um companheiro de viagem.
Se a rede for usada como prolongamento ou expectação de tal encontro, então não se atraiçoa a si mesma e permanece um recurso para a comunhão. Se a rede é uma oportunidade para me aproximar de casos e experiências de bondade ou de sofrimento distantes fisicamente de mim, para rezar juntos e, juntos, buscar o bem na descoberta daquilo que nos une, então é um recurso. Essa é a rede que queremos: uma rede feita, não para capturar, mas para libertar, para preservar uma comunhão de pessoas livres".
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

 

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