ANO: 25 | Nº: 6487
01/06/2019 Esportes

Gigantes do futebol americano

Foto: Tiago Rolim de Moura

Andrei e Ataídes começaram a jogar em 2008
Andrei e Ataídes começaram a jogar em 2008
por Yuri Cougo Dias

Alçar voos maiores e difundir um esporte nem tão popular por aqui. Essa tem sido a jornada do defensive tackle Andrei Garcia Barreto, 35 anos, e do defensive back Ataídes Nogueira, 26 anos, ambos atletas do Bulldogs F.A, de Venâncio Aires. Há mais de 10 anos, eles nem imaginavam que uma brincadeira poderia virar coisa séria. Neste sábado, porém, eles disputam nada menos que a final do Gauchão de Futebol Americano, contra o poderoso Santa Maria Soldiers.
Agendado para as 14h, no campo da PUC, em Porto Alegre, o confronto pode mudar a vida dos dois e do futebol americano bajeense como um todo. Por isso, o Jornal MINUANO traz um pouco da história de Andrei e Ataídes. Inclusive, um vídeo da reportagem está disponível no site e na página do jornal no Facebook. A decisão, intitulada como Gaúcho Bowl XI, terá transmissão no canal do YouTube, da Federação Gaúcha de Futebol Americano (FGFA).

Origem: Bagé Baguals
Voltando lá em 2008. Como uma espécie de "hobbie", a Rainha da Fronteira inovava com a criação de uma equipe de futebol americano: o Bagé Baguals. Se hoje, a prática ainda é restrita, imagine, então, o contexto da modalidade no Rio Grande do Sul há 10 anos. Embora a prática fosse totalmente amadora, até mesmo sem o uso de equipamentos de proteção, o Bagé Baguals foi o pontapé inicial, inclusive, participando do primeiro Gauchão da história, que contou com quatro equipes.
Um dos personagens que protagonizou esse primeiro passo foi Ataídes Nogueira, então com apenas 15 anos. "Iniciou como uma brincadeira, no campo do Caixeiral. Nem acreditávamos que chegaríamos no nível que estamos hoje. Depois daquele ano, fiquei parado até 2016, quando eu recebi o convite de uns amigos que jogavam no São Leopoldo Mustangs, entre eles, o Andrei. Fizemos uma temporada lá e, no segundo semestre, recebemos o convite do Bulldogs. Em 2017, já saímos campeões da Copa RS. Fomos o segundo a conquistar esse título, pois o primeiro tinha sido o Santa Maria Soldiers. Agora, temos a oportunidade de enfrentar eles numa final", contextualiza.
Já Andrei não chegou a integrar a equipe do Bagé Baguals no estadual de 2008. Porém, foi justamente essa inovação que o motivou a procurar o esporte. "Eu acompanhava o esporte pela televisão. E daí vi uma matéria sobre a participação do Bagé Baguals no estadual. Fiquei interessado e, em questão de uma semana, já estava treinando com eles. Depois, nunca mais larguei. Só fiquei parado uma vez, por oito meses, devido a uma lesão grave. Mas não me desliguei. Do Bagé Baguals, fui para o Santa Cruz Chacais, onde joguei o campeonato brasileiro. Depois, fui para o São Leopoldo Mustangs e, hoje, estou no Bulldogs, agraciado com uma final de estadual", ressalta.

Dificuldades da rotina
São pouquíssimos os atletas, no Brasil, que conseguem viver exclusivamente do futebol americano. Por essa razão, Andrei e Ataídes precisam conciliar suas ocupações profissionais com a prática do esporte. Nesse desafio, a dupla tem que encarar vários quilômetros, de idas e vindas para Venâncio Aires. "Nem esperávamos que o futebol americano no Estado estaria no nível de hoje. São poucos que têm uma oportunidade de chegar numa final. Estávamos trabalhando duro e fomos premiados. O esporte é considerado semiprofissional no Brasil. E conciliar a rotina do dia a dia com os treinamentos, creio que é o segredo do sucesso, pois, quem consegue, chega num nível melhor. Muitas vezes, eu e o Andrei chegamos aos jogos já desgastados pela viagem. Mas nós somos guerreiros e não desistimos da batalha", afirma Ataídes.

Plantação de uma semente
Desde 2016, o Santa Maria Soldiers não sabe o que é perder no Gauchão. E o desafio de quebrar esse tabu está sob a responsabilidade do Bulldogs. Esse é o sentimento que motiva os bajeenses. "É esse tipo de jogo que eu gosto. É o jogo que todo mundo sonha. Sabemos da supremacia deles, mas viemos trabalhando forte e o projeto do Bulldogs é muito bom. Acho que temos condições de fazermos um grande enfrentamento e, se tudo der certo, termos competência para vencermos", ressalta.
Chegar numa final e alcançar prestígio no esporte pode inspirar outros a praticarem a modalidade. Ao menos, essa é a esperança da dupla. "Eu faço minha parte. Tenho dois gurizinhos que já têm uma bola infantil. Dentro de casa, pego a bola para treinar ou brincar e eles já vêm me dando 'encontrãozinho'. Minha sementinha, estou plantando, tanto dentro de casa quanto com as pessoas que nos procuram para praticar e aprender o esporte. Infelizmente, a cidade não tem mais um time ativo. Mas, quem sabe, num futuro próximo", destaca Andrei.
E é justamente essa sementinha plantada por Andrei e Ataídes que carrega o sonho e a esperança de que o esporte da bola oval se torne popular nos pagos da Rainha da Fronteira. Quem sabe o título estadual seja a chave para isso.

Mais imagens

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...