ANO: 25 | Nº: 6334

Dilce Helena Alves Aguzzi

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
04/06/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Sobre educação, boas maneiras e bom senso

Parece óbvio serem essas três questões essenciais ao bom convívio entre as pessoas: educação, boas maneiras e bom senso. Entretanto, infelizmente, talvez não seja tão óbvio assim. Aliás, qualquer bom observador pode notar que hoje quem as possui e as exercita no dia a dia se destaca, quase como se fosse um extraterrestre convivendo entre nós!
Muitos obstáculos se interpõem ao desenvolvimento de noções básicas de civilidade, entre elas se sobressaem a pressa constante e ansiedade, a crescente superutilização da tecnologia e, por fim, a percepção equivocada de que é coisa ultrapassada, mais ou menos como se para parecer jovem e atualizado tenha que passar recibo de grosseria e total falta de noção sobre respeito.
Eu teria muitos exemplos para ilustrar meu argumento para este tema, mas vou citar apenas aqueles que se repetem com maior frequência e imagino que você também se identifique.
Quantas vezes no prazo de uma semana vimos estas situações acontecerem?

- Telefone toca, a pessoa olha, percebe de quem é a chamada e prefere ignorar e enviar, mais tarde, mensagem de texto ou áudio. Não se trata de falta de tempo e sim falta de vontade, de disponibilidade para o outro.
- Duas pessoas conversando, uma delas interrompe toda hora o diálogo e responde coisas mecânicas ou fora de contexto porque o seu foco de atenção está no celular, sequer olha para o seu interlocutor. Neste caso falta educação para lidar com a tecnologia e seu poder de sedução. É preciso saber que a prioridade é sempre do ser humano a nossa frente.
- Um adulto fala com uma criança ou adolescente, dizendo "oi" ou uma pergunta corriqueira do dia a dia, e é totalmente ignorado com a anuência ou displicente justificativa dos pais de que "não é bom" obrigá-los a isso. Ocorre uma confusão entre não obrigar os filhos a cumprimentar beijando com permitir que cresçam desconhecendo normas básicas de cordialidade, boa convivência e educação.
- Alguém comenta sobre assunto polêmico na presença de pessoa que discorda diametralmente desta opinião e reage expondo seu ponto de vista desqualificando o primeiro argumento. Obviamente se trata de falta de noção de oportunidade. Nem sempre estamos em um debate onde nossos argumentos devem ser expostos à exaustão. Grosseria e franqueza são coisas diferentes. Não precisamos concordar com tudo, entretanto os outros não necessitam de nossa aprovação para pensarem diferente. Aceitar a divergência também mostra boas maneiras e senso de ocasião.
Parece que vivemos um bom momento para voltar a dar atenção à etiqueta, boas maneiras e noções mínimas de convivência e civilidade. Precisamos encontrar uma forma para que elas cheguem com coerência e sentido adequados às novas gerações. Do contrário, teremos cada vez mais que lidar com pessoas sem habilidades sociais mínimas, o que é bastante grave, pois o ser humano é um ser social. Ou seja, aprende e se desenvolve através do convívio.
Como conseguir isso sem reconhecer a existência e o valor do outro?



Falta educação para lidar com a
tecnologia e seu poder de sedução

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