ANO: 25 | Nº: 6312

Cássio Lopes

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05/06/2019 Cássio Lopes (Opinião)

Leonardo Bagé

Jader Moreci Teixeira nasceu no dia 30 de novembro de 1938, na Vila de Santa Tereza, em Bagé. Filho de Lídia Teixeira e pai desconhecido. Na Rainha da Fronteira, cursou o primário na Escola XV de Novembro.

Pela impossibilidade da família de criá-lo, viveu em lar adotivo do qual não trazia boas recordações. Mesmo com a vida difícil, obrigado a trabalhar exaustivamente na lavoura e em lides campeiras, gostava muito de música e chegou a vencer um concurso de calouros infantis na Rádio Cultura, interpretando a música “O ébrio” (canção consagrada por Vicente Celestino).

Em 1949, se desentende com o padrasto e foge do lar adotivo, empregando-se em algumas estâncias próximas à Vila de Santa Tereza, onde passa a adolescência trabalhando com o gado e plantações. Certa feita, quando estava no centro da cidade, teve a oportunidade de presenciar da janela da Rádio Cultura a apresentação do cantor Pedro Raymundo.

Sempre gostou de leitura, e um fato decisivo em sua vida foi que em uma das fazendas em que trabalhou havia uma bem sortida biblioteca. A patroa fazia gosto que o menino tivesse acesso aos livros, chegando a dispensá-lo em determinados horários de trabalho para que pudesse ler. Assim, pode conhecer poesia, contos, novelas e (sua predileção) a história.

Em 1957, parte para Porto Alegre em busca da mãe, que só, muito mais tarde, acabaria encontrando-a e podendo abrigá-la. Na Capital, passa a viver de serviços braçais. Dormia e comia onde pudesse, chegando a dormir em bancos de praça.

Um dia, passando em frente a um circo, vê uma placa: “Precisa-se de um palhaço”. Não perde a oportunidade. Nesse circo começa a viver momentos felizes como o “Palhaço Sabugo”. A parte musical do circo ficava por conta de uma dupla sertaneja, e o jovem Jader aprende a cantar e tocar com os novos amigos. Logo estaria compondo suas próprias canções do gênero.

Em 1959, forma dupla própria com Leopoldo Lino dos Santos, ocasião que adota o pseudônimo “Leonardo”. Com a dupla “Leopoldo e Leonardo”, consegue gravar três discos em São Paulo, voltados para o mercado nacional, mais receptivo à música sertaneja do que o Rio Grande do Sul.

Em 1962, forma nova dupla com Deroí Marques: “Leonardo e Leonir”. Apesar de considerar sua melhor dupla, nunca chegaram a gravar devido às dificuldades, que começavam a surgir no mercado fonográfico. Era o início dos anos 60, um período de grandes transformações na cultura brasileira e no mundo.  

Em 1964, de volta ao Rio Grande, percebe a grande força da música regional gaúcha que se estruturava e que buscava mercado próprio. Com os irmãos Elmo e Bruno Neher, integra o grupo “Os Três Xirus”. Atinge sucesso nacional com a música “Baile da Coceira”. Em 1965, o conjunto é indicado para representar o Brasil na Feira Internacional de Santarém, em Portugal. A música “Baile da Coceira” repercute intensamente naquele país, tornando-se o principal sucesso do carnaval de Lisboa.

Em 1971, com o grupo “Os Três Xirus” faz o show de abertura da I Califórnia da Canção de Uruguaiana, sendo, portanto, o primeiro músico a cantar no palco principal. Em 1975, depois de vários anos de sucesso, com dez discos gravados, sendo três em alemão para a colônia gaúcha, deixa “Os Três Xirus”, passando a integrar o conjunto “Os Vacarianos”. No final desse ano, resolve retomar a carreia solo.

Fontes:
Revista CEEE/Som do Sul, Fascículo nº 7, Porto Alegre, Editora Alcance, 2002, 18 p.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Leonardo_(cantor_nativista)

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