ANO: 25 | Nº: 6312

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
08/06/2019 Airton Gusmão (Opinião)

Testemunho da Unidade Cristã para superar a injustiça


Nestes primeiros dias do mês de junho, de 2 a 9, estamos celebrando a Semana de Oração pela Unidade Cristã. Este ano temos como texto bíblico inspirador a seguinte passagem: "Procurarás a justiça, nada além da justiça" (Dt 16,11-20).
"Em certa ocasião, as cores começaram uma disputa entre si. Cada uma queria ser a mais importante. O verde alegava que era a cor da vida, da esperança e estava mais presente na natureza. O azul reivindicava ser a cor da água, do céu e do mar. O amarelo dizia ser a cor da alegria, do sol, da vitalidade e do ouro. A cor laranja pretendia ser a cor da saúde, da vitamina e da força. É só lembrar das laranjas, mangas, mamões, cenouras. O vermelho sublinhava sua força e valor; sua paixão e seu fogo. A cor púrpura disse que era a cor da nobreza e do poder. O anil fazia notar que era a cor do silêncio, da reflexão, da oração e do pensamento profundo. A chuva observou a disputa e interveio com sua força. As cores acabaram se fundindo em uma. Quando parou de chover, as cores se desprenderam em forma de arco-íris. Cada uma delas fez brilhar sua beleza e todas deram-se conta da beleza do conjunto" (Vivendo e aprendendo: histórias para o dia a dia. Mundo e Missão, pag. 111).
A Semana de Oração pela Unidade Cristã de 2019 foi preparada pelas igrejas da Indonésia, um país multirreligioso e com uma diversidade étnica surpreendente. Essa pluralidade tem sido em algumas situações, causa de divisões e agressões, tais como o fundamentalismo religioso ou a supremacia de um grupo étnico sobre outro, bem como uma acentuada desigualdade econômica.
As igrejas da Indonésia nos convidam a refletir sobre a justiça a partir da unidade na diversidade, conceito importante para o ecumenismo. A justiça precisa garantir a dignidade e a integridade de todas as expressões culturais e religiosas, e precisa zelar pela criação de Deus.
Por isso, temos a tarefa de superar a compreensão de que os interesses econômicos de poucas pessoas estão acima do bem comum. O individualismo não pode ser considerado critério para as relações humanas. Para que a Casa Comum esteja disponível para as gerações futuras, necessitamos recuperar o espírito da coletividade, a solidariedade, a empatia, a compreensão de que nós, seres humanos, somos uma pequena parte da Criação de Deus.
Falando sobre a importância do ecumenismo, o Documento de Aparecida nos diz o seguinte: "Não bastam as manifestações de bons sentimentos. São necessários gestos concretos que penetrem nos espíritos e sacudam as consciências, impulsionando cada um à conversão interior, que é o fundamento de todo progresso no caminho do ecumenismo" (nº 234).
Somente dando total atenção à prece de Jesus: "Para que eles sejam um" (Jo 17,21), poderemos testemunhar a vivência da unidade na diversidade. É através de nossa unidade em Cristo que seremos capazes de superar a injustiça e atender o chamado para a missão de Deus que nos move à solidariedade radical com as pessoas excluídas.
Aqui em Bagé, realizamos no dia 5, quarta-feira, uma Celebração Ecumênica na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) e, no próximo domingo, dia 9, Solenidade de Pentecostes, estaremos celebrando também com a presença da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), na Igreja Católica Apostólica Romana São Judas Tadeu, às 17 horas.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

 

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