ANO: 25 | Nº: 6312

Norberto Dutra

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Pastor e presidente da Igreja Assembleia de Deus de Bagé Doutor em Divindade
08/06/2019 Norberto Dutra (Opinião)

Um verdadeiro discípulo de Cristo produz frutos

É preciso que se faça distinção entre "frutos" e "dons". Os cristãos não são identificados pelos dons recebidos, mas pelos frutos que produzem. Os dons são de Deus para o homem. Observe os textos a seguir: Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança, nem sombra de variação. (Tiago 1.17) Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento. (Romanos 11.29) Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. (1 Coríntios 12.11) Os dons são diretamente relacionados à soberania de Deus. Ele dá a quem quer, conforme quer; e isso não tem nada a ver com a vida de frutificação. Por mais absurdo que possa parecer, muitas pessoas que receberam dons espirituais irão para o inferno. Essa é uma verdade eterna, proferida pelo Senhor Jesus: Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos maravilhas? E, então lhe direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. (Mateus 7.22,23) É possível que você esteja se perguntando: "Mas, como alguém pode receber um dom espiritual e ir para o inferno?". É preciso que uma coisa fique clara: os dons são a manifestação sobrenatural de Deus na vida do ser humano; os dons são um sinal de que o Deus a quem servimos é poderoso, misericordioso, bondoso e manifesta o Seu poder por meio dos homens. A manifestação do poder de Deus não significa aprovação de conduta. No deserto do Sinai foram realizados os prodígios mais tremendos da História. As obras que o Altíssimo realizou naquele terreno árido por quarenta anos ininterruptos não se repetiam em nenhuma outra época; e a Bíblia nos informa que a maior parte do povo pereceu no deserto. Significa dizer que a manifestação do poder de Deus não está atrelada à aprovação de conduta, mas revela que Ele é todo poderoso e age como quer. Enquanto os dons são de Deus para o homem, os frutos são do homem para Deus. (João 15.8,16) diz: Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos. Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vos conceda. Os frutos são produzidos por mim e por você. Mas, o que são os frutos? São a manifestação da nossa fé entre os homens (Atos 11.26b). Observe o testemunho dos irmãos das igrejas macedônicas: Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da Macedônia; como, em muita prova de tribulação, houve abundancia do seu gozo, e como a sua profunda pobreza superabundou em riquezas da sua generosidade. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente, pedindo-nos com muitos rogos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos. E não somente fizeram como nós esperávamos, mas também a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor e depois a nós, pela vontade de Deus. (2 Coríntios 8.1-5). Tito Lívio, historiador romano, informa-nos que Roma destituiu as terras macedônicas de suas riquezas. A força imperial, além de esgotar o sal e a madeira ali existentes, apossou-se de metais preciosos que havia em suas minas, impondo impostos altíssimos sobre seus produtos manufaturados e agrícolas bem como sobre os seus metais. Este era o palco em que se abrigava a igreja macedônica. Os cristãos, particularmente, devido às perseguições que, sofreram, tornaram-se ainda mais carentes que o restante da população; assim, eles ficaram tão pobres quanto os cristãos de Jerusalém. Porém, esta realidade não lhes roubou o desejo de compartilhar aquilo que lhes restava; e este talvez seja um dos maiores exemplos de generosidade e amor ao próximo demonstrado nas Escrituras: abrir mão daquilo que pode fazer falta. Os frutos são a manifestação do nosso cristianismo, que glorifica a Deus. Os irmãos macedônicos eram pobres, mas ajudaram os cristãos que estavam na Judeia padecendo necessidade (2Coríntios 8.2b). A prática do bem é o mais elevado conceito moral existente no mundo civilizado. Pastor Walter Brunelli, discorrendo sobre as grandes questões éticas enfrentadas pelos cristãos nos dias atuais, disse: a Igreja não pode isolar-se do mundo, ignorando os problemas sociais e comunitários que se lhe apresentam; antes, ela pode e deve estender a mão aos que estão fora dos seus arraiais. A visão da Igreja de Cristo deve ser a de ajudar a todos, dando especial atenção aos domésticos da fé (Gálatas 6.10). Infelizmente, a ênfase na causa espiritual tem levado algumas congregações a agir com displicência em relação aos pobres e necessitados. Os nossos frutos são aquilo que produzimos. Em Mateus 5.16, Jesus diz: Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus. Um verdadeiro discípulo imita o Mestre, quer estar sempre junto dele e produz frutos. Deus te abençoe até o próximo final de semana!

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