ANO: 25 | Nº: 6384

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
10/06/2019 Caderno Minuano Saúde

Dislexia: um transtorno de aprendizagem de leitura

Foto: Divulgação

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“Meu filho não consegue ler”. Dados do Instituto ABCD mostram que cerca de 4% da população brasileira possui uma dificuldade específica de aprendizagem chamada de dislexia do desenvolvimento. A dislexia é um transtorno de origem neurobiológica e que afeta, principalmente, a consciência dos sons da língua, fazendo com que alguns indivíduos tenham dificuldades em realizar o ato de ler.

O processo de aprendizagem é individual e cada criança possui o seu tempo. Apesar disso, é preciso ficar atento quando uma dificuldade em aprender a ler mostra-se mais acentuada, com prejuízo a longo prazo e uma aparente incapacidade da criança em juntar as letras e decifrar palavras.

Nesta edição, a mestre em Linguística, Débora Mattos Marques, da Clínica Soma, irá explicar o que é esse transtorno.

 

O que é esta severa dificuldade?

De um modo geral, o que acontece na dislexia é uma severa dificuldade em relacionar som e grafia. A consciência fonológica é afetada, fazendo com que esses indivíduos apresentem um rendimento inferior ao das crianças de sua idade no que diz respeito à competência leitora.

“As crianças com dislexia podem sofrer alterações em diferentes aspectos, podendo apresentar, também, dificuldades de orientação espacial, de organização no tempo e espaço, atrasos motores, entre outros. O que é senso comum entre os estudiosos da área é que não há prejuízos de inteligência, nem de compreensão. A dificuldade leitora em nada afeta sua capacidade intelectual”, destaca a mestre.

Então eles não aprendem a ler?

Segundo a profissional, “os disléxicos são capazes de aprender a ler com uma fluência considerável, ainda que, mesmo adultos, frequentemente não atinjam os mesmos níveis de leitura de pessoas com desenvolvimento típico”.

Diagnosticar a dislexia não é uma tarefa fácil, uma vez que todos os fatores externos precisam ser eliminados para, só então, chegar-se ao diagnóstico, ressalta a especialista. “É necessário que haja uma rede de profissionais capacitados, que possam, por meio de exames médicos, entrevistas familiares, testes e observações das dificuldades da criança, obter maior precisão na avaliação a ser realizada. Por isso muitas crianças atravessam o percurso escolar sendo vítimas das mais diferentes dificuldades e recebendo rótulos de incapacidade”, garante.

Nas escolas, faz-se necessário que os professores tenham conhecimento desse transtorno para poder identificar os sinais e realizar os encaminhamentos necessários o mais breve possível, argumenta a mestre. “A criança disléxica tem direitos garantidos em lei, especialmente no que tange à adaptação de conteúdos e avaliações”, relata.

Débora conclui dizendo que o acompanhamento psicopedagógico é importantíssimo para que sejam exploradas e estimuladas todas as potencialidades da criança disléxica, favorecendo seu desenvolvimento e aprimorando a aprendizagem. “É preciso criar, cada vez mais, a consciência de que uma criança que possui um laudo diagnóstico de problema ou transtorno de aprendizagem não está marcada como incapaz de aprender. Ela é capaz de chegar ao objetivo final, apenas percorrendo outros caminhos e necessitando de uma maior rede de apoio, dentro e fora do ambiente escolar”, finaliza.

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