ANO: 25 | Nº: 6306
13/06/2019 Felipe Valduga (Editorial)

Uma questão que exige colaboração


O estopim político e econômico que alcançou a Venezuela, vizinha do Norte brasileiro, não é um fato novo, mas que de forma constante vem exigindo respostas dos demais países da América do Sul, a exemplo do Brasil. E muito além dos enfrentamentos de posições de seus líderes, atuais ou opositores, o reflexo social causou um verdadeiro abandono de quem lá vivia, por pessoas em busca de um destino que oportunizasse uma situação melhor, ou, no mínimo, diferente.
Em duas diferentes publicações desta edição, o Jornal MINUANO aborda, de maneira local, reflexos causados pelo embate venezuelano. Em uma das reportagens, retrata os preparativos do Exército para uma missão que levará militares até Boa Vista, para integrarem uma missão destinada ao acolhimento de imigrantes que chegam, dia após dia, àquela cidade. Trata-se, em síntese, de um trabalho de continuidade ao que o governo brasileiro já desempenha desde o início do ano. A diferença, desta vez, é que soldados daqui, inclusive de Bagé, serão parte dos agentes responsáveis por tal ação.
De outro modo, uma matéria assinada por Mário Pereira, acadêmico de Jornalismo da Urcamp e diagramador deste veículo, conta a realidade encarada por uma família de venezuelamos que, após deixarem seu País, fixaram estadia na Rainha da Fronteira. Enfim, uma comprovação de que fatos às vezes distantes de nossa realidade têm reflexos em muitos e diferentes locais, inclusive Bagé. Além de um relato oficial de quem enfrentou dificuldades verdadeiras na Venezuela, deixando para trás até uma casa própria, esta abordagem mostra que os desafios não são superados de maneira fácil, simplemente trocando de endereço. No Brasil, além de batalhar por um recomeço, esta família tenta superar novas dificuldades, como a conquista de um emprego - algo já conhecido de uma parcela significativa de brasileiros.
Independentemente de qual abordagem atraia maior interesse, ou represente melhor o embate do país vizinho, o fato é que se o atual cenário venezuelano não mudar, dificilmente novas missões de acolhida ou novas histórias de recomeço deixarão de integrar a pauta de jornais ou outros veículos de comunicação. Enquanto isso, toda e qualquer ação que colabore para que imigrante consigam superar a triste realidade contemporânea será muito mais que importante, mas essencial.

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