ANO: 25 | Nº: 6281

Fernando Fagonde

fernandofagonde@gmail.com
Professor do curso de Sistemas de Informação da Urcamp | CIO da Y
15/06/2019 Fernando Fagonde (Opinião)

Inovação e Tecnologia

Em uma página de uma rede social, um autor de alguns livros sobre inovação, abordando esse tema, diz que inovação não precisa passar por tecnologia.
No caso, ele falava da grande quantidade de empresas que falham, e falharam, ao colocar a tecnologia em primeiro lugar na busca por inovação.
Em 2016, o Yahoo, empresa de tecnologia, que já foi o buscador líder da internet, adquiriu 53 startups em um investimento de 2,5 bilhões de dólares, em uma tentativa de trazer inovação para dentro da sua empresa. Neste mesmo ano, 33 dessas 53 foram fechadas e hoje somente duas dessas startups ainda existem. No Brasil, a Via Varejo, empresa do ramo varejista responsável pelas Casas Bahia e pelo Ponto Frio, recentemente, lançou uma fintech com o intuito de capturar valor e oferecer serviços financeiros dentro das suas lojas. O break even (quando o resultado empata com o investimento) está previsto para três anos, porém, ocorre que as projeções indicam que em dois anos fintechs não serão mais novidade, serão muito comuns e ter uma fintech será uma prática comum, ou seja, dificilmente o investimento valerá a pena e será um diferencial.
O foco dos esforços em inovação deve ser sempre a solução de algum problema do cliente, o mindset deve ser sempre este, a inovação começa na busca de algum analgésico para a dor de quem usa nosso produto ou serviço.
A Nubank, uma das principais fintechs do País, conquistou sua clientela roubando, no sentido figurado, usuários descontentes com a burocracia e com as taxas de serviços que eram pagas pelos bancos tradicionais. O foco era satisfazer o cliente em primeiro lugar, a tecnologia e os apps vieram depois. Nos casos de sucesso, percebe-se que a tecnologia tem um papel fundamental, mas não é o único pilar.
A inovação acontece onde as pessoas estão, resolvendo algum problema delas e por isso mesmo trata-se de algo bastante complexo. Ainda bem que existem diversas ferramentas e métodos que podem ajudar nesse processo, validações que auxiliam na identificação do caminho tomado. O próprio perfil do cliente mudou e ele já está mais acostumado em ser o "testador" e melhorar qualquer ferramenta através do seu feedback.
Talvez, se o Yahoo tivesse percebido o movimento, perceberia que o que o seu usuário queria era um buscador mais rápido e que fosse simples acima de tudo, e, ao invés de investir em várias startups, investiria em melhorar algum serviço para o seu usuário.
A única empresa que conseguiu inovar sem ouvir o seu usuário foi a Apple, mas isso é reflexo do perfil do Steve Jobs, que era muito diferenciado. Como disse o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, "O importante não é ver o que ninguém nunca viu, mas sim, pensar o que ninguém nunca pensou sobre algo que todo mundo vê." Ou então, se não dá para ver o que todo mundo vê, não custa perguntar "qual a dor" e focar nisso.

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