ANO: 25 | Nº: 6334

Norberto Dutra

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Pastor e presidente da Igreja Assembleia de Deus de Bagé Doutor em Divindade
15/06/2019 Norberto Dutra (Opinião)

Um verdadeiro discípulo de Cristo constrói profundos relacionamentos


Nos Evangelhos e no Livro de Atos, não encontramos nenhum discípulo de Cristo sozinho ou isolado. Paulo, por exemplo, sempre esteve acompanhado de outros discípulos. Observe os textos a seguir: Em Icônio, Paulo e Barnabé entraram juntos na sinagoga judaica e falaram de tal modo, que veio a crê grande multidão, tanto de judeus como de gregos. Mas os judeus incrédulos incitaram e irritaram os ânimos dos gentios contra os irmãos. Entretanto, demoraram-se ali muito tempo, falando ousadamente no Senhor, o qual confirmava a palavra da sua graça, concedendo que, por mão deles, se fizessem sinais e prodígios. (Atos 12.1-3 ) E alguns deles creram e ajuntaram-se com Paulo e Silas; e também uma grande multidão de gregos religiosos e não poucas mulheres distintas. (Atos 17.4) Quanto a Tito, é meu companheiro e cooperador para convosco; quanto a nossos irmãos, são embaixadores das igrejas e gloria de Cristo. (2 Coríntios 8.23) Julguei, contudo, necessário mandar-vos Epafrodito, meu irmão, e cooperador, e companheiro nos combates, e vosso enviado para prover às minhas necessidades. (Filipenses 2.25) Em Romanos 16, encontramos uma lista de 27 pessoas que cooperaram com o ministério do apóstolo: Febe (v1), Priscila, Áquila (v3) Epêneto (v5), Maria (v6), Andrônico, Júnia (v7), Amplíato (v8), Urbano, Estáquis (v9), Apeles, Aristóbulo (v10), Herodião, Narciso (v11), Trifena, Trifosa, Pérside (v12), Rufo (v13), Asíncrito, Flegonte, Hermas, Pátrobas, Hermes (v14), Filólogo, Júlia, Nereu e Olimpas (v15). Discípulo de Cristo não anda isolado, mas estabelece vínculos profundos com outros discípulos. E não falo de relacionamentos rasos, que se limitam ao cumprimento circunstancial; falo, sim, de relações densas em que a alegria de freqüentar a casa do outro, a vontade de orar juntos e a liberdade para aconselhar e exortar são reais e verdadeiras. Mas, por que é fundamental construir relacionamentos sólidos? Existem três motivos principais. Vejamos. 1- Para que o mundo reconheça que somos, de fato, discípulos de Cristo. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. (João 13.35) O amor só se torna uma realidade a partir da construção de um relacionamento profundo. No texto bíblico, deparamo-nos com diversos personagens que enfrentaram juntos lutas e aflições; e esses dissabores foram fundamentais para solidificar o amor e o respeito mútuos. No Antigo Testamento, destaca-se a amizade de Jônatas, filho do rei Saul, e Davi, filho de Jessé um jovem pastor de ovelhas. Em 1 Samuel 18.1, o autor sagrado diz que a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma. Esta talvez seja a mais verdadeira expressão de amizade registrada na Bíblia. Apesar de temperamento e origens diferentes, este foi um acordo entre iguais; o pacto de Jônatas e Davi firmaram previa que um cuidaria das necessidades e interesses do outro continuamente. A partir de determinado momento da historia, Saul passou a invejar Davi (1 Samuel 18.9) e, assim, tentou matá-lo diversas vezes. No entanto, o relacionamento dos rapazes fortaleceu-se tanto, que Jônatas fez seu pai jurar que não cometeria tal crueldade (1 Samuel 19.1-6). Jônatas morreu em combate (1 Samuel 31.2), e Davi entristeceu-se muitíssimo (2 Samuel 1.26). Porém em nome da lealdade que tinha ao seu amigo e à aliança que firmaram, ao assumir o reinado de Israel, Davi mandou um criado saber se ainda havia algum filho de Jônatas vivo (2 Samuel 9). E descobriram Mefibosete, um jovem que ficara coxo devido a um tombo (2 Samuel 4.4). Quando Davi soube de sua existência, trouxe-o para viver no palácio como um de seus filhos; além desta honra, o rei devolveu-lhe todas as terras que pertenceram ao rei Saul, seu avô. Amizade em amor demanda pessoas dispostas ao envolvimento e à entrega; demanda encontro de caráter e palavra; tempo e constância. No Novo Testamento, observamos a profunda amizade que se estabeleceu entre um professor e um aluno: Paulo e Timóteo. Esta resultou de um longo período de convívio, no qual prevaleceram a admiração e o respeito mútuos. O filho de Eunice aparece pela primeira vez no texto bíblico, depois que Paulo e Barnabé desentenderam-se por causa de João Marcos. Nessa ocasião, iniciava-se a primeira viagem missionária (Atos 15.37-41;16.1-3). Alguns comentaristas acreditam que não era uma tarefa simples lidar com Paulo cotidianamente, devido ao seu temperamento peculiar; contudo, o discreto e leal rapaz superou todas as dificuldades que, certamente, apareceram. Dentre os muitos colaboradores de Paulo, nenhum outro foi tão elogiado pelo apóstolo como o foi Timóteo. Nas cartas que o apóstolo escreveu às igrejas observamos a alta consideração que ele tinha por seu fiel ajudador (Romanos 16.21;1 Coríntios 4.17; Filipenses 1.1; Colossenses 1.1;1 Tessalonicenses 3.2). Nenhum ser humano é autossuficiente; ninguém pode completar a si mesmo! Deus abençoe até o próximo sábado.

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