ANO: 25 | Nº: 6383
20/06/2019 Cidade

Em carta, Airton Lacerda anuncia renúncia ao cargo de provedor da Santa Casa

Foto: Tiago Rolim de Moura

Médico alegou disputa política
Médico alegou disputa política "bizarra" dentro da Instituição
O médico Airton Torres de Lacerda não é mais o provedor da Santa Casa de Caridade de Bagé. O profissional anunciou, na tarde desta quinta-feira, em carta de renúncia enviada ao Jornal Minuano, que decidiu deixar o cargo. "Essa decisão é irrevogável e irretratável", diz trecho do documento.
Ao longo da manifestação, Lacerda lembra episódios aos quais teve que passar enquanto ocupou o cargo, e, também, explicou os motivos que o levaram, agora, a renunciar. "Nunca tive apego ao cargo e sempre disse que, se houvesse um dia que eu não pudesse mais cumprir meus deveres e atender às expectativas da Instituição, eu seria o primeiro a informá-la", menciona o primeiro parágrafo da carta.
Na sequência, diz ele, "foram cerca de 30 meses de mandato em que estive à frente de um dos maiores desafios da minha vida. Encontramos uma Instituição à deriva, sem qualquer condição de atender a população na singeleza dos seus procedimentos. Atolada em dívidas e sem perspectiva de recuperação. Seus funcionários não recebiam em dia e não tinha qualquer expectativa de recebimento do 13º salário. Médicos e prestadores apresentavam 4,5 meses de atraso (...) Com os recursos recebidos na última semana, entregamos o Hospital com os rendimentos dos funcionários e dia e dos médicos, inclusive eu, no mesmo patamar de atraso de quando assumimos a gestão, os quais faço menção especial por terem suportado o atraso sem suspenderem os atendimentos".
O texto ainda frisa momentos de superação. "Trabalhamos duro para recuperar a certificação de entidade Filantrópica, condição indispensável à execução das atividades do Hospital. Aderimos ao ProSUS, programa que amortizou a dívida acumulada atpe 2009 de cerca de R$ 28 milhões. Parcelamos dívidas de tributos que beiravam os R$ 2 milhões. Regularizamos por completo a situação fiscal da entidade, condição essencial à percepção  de receitas pública. Alteramos fornecedores dispendiosos como o de oxigênio, que ocasionou a economia de R$ 480 mil por ano (...) Apesar da austeridade vivida, conseguimos retomar o serviço de Radioterapia, retirado por consequência da ausência da Filantropia. Concluímos as obras da CTI Pediátrica, que se arrastava desde 2012. Adequamos o Bloco Cirúrgico e o Banco de Leite às normas da Vigilância Sanitária. Adquirimos novos carros térmicos para nutrição dos pacientes. Conquistamos um novo elevador com capacidade aumentada para melhor atender a comunidade. Adquirimos novas camas elétrica, geradores, respiradores, carros anestésicos, cardioversores, monitores, oxímetros, incubadoras, berços aquecidos. Iniciamos a construção do Centro de Endoscopia, compromisso assumidos pela gestão anterior e exigência da Vigilância Sanitária. Renovamos o setor de informática com a aquisição de 65 computadores", complementa o informe, que ainda lista outras ações, bem como o auxílio de políticos e instituições financeiras, empresas do varejo e clubes de serviço.
Ao final, porém, aponta que "apesar disso, e com ainda 18 meses de trabalho, resolvi ceder aos apelos generalizados dos meus 'apoiadores'". E completa: "É público e notório que a Santa Casa passa por inúmeras dificuldades, fruto de uma disputa política bizarra, que não condiz com o que a comunidade bajeense espera e merece. Disputas por interesses obscuros impedem a união de esforços em prol da Instituição e somente a minha renúncia poderá reduzir esse impasse político. A Santa Casa não suportaria esperar indefinidamente a convergência do seu grupo políticos (...) Fiz algumas dos melhores amigos da minha vida na Instituição, e agradeço a todos pelo período em que pude trabalhar com vocês. Quanto ao meu sucessor, desejo muito sucesso nessa jornada".

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