ANO: 25 | Nº: 6385

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
26/06/2019 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Desenvolvimento e o polo carboquímico

Na segunda-feira, 24, estive em Candiota para o lançamento da Frente Parlamentar do Polo Carboquímico. Lá, sintetizei meu posicionamento sobre o assunto, que, aliás, tenho defendido desde que o tema veio à baila. Entendo que, entre vantagens e desvantagens do projeto, devemos procurar um caminho que busque potencializar as vantagens e diminuir ao máximo eventuais efeitos negativos.
O tema da produção energética é, sem dúvida, um tema sensível em todo o mundo. Há uma pressão internacional, vinda de vários setores, governamentais ou não, para que as fontes energéticas que produzem CO² sejam abandonadas. A exploração do carvão, principalmente, sofre forte oposição de ambientalistas e defensores de energias limpas. Não podemos fechar os olhos nem os ouvidos para estes argumentos.
Mas também vivemos uma realidade muito peculiar e específica no Rio Grande do Sul. Simplesmente porque concentramos aqui, em nosso solo, cerca de 90% de todas as jazidas carboníferas do Brasil. E as exploramos há muito tempo, tendo criado uma cadeia produtiva que possuiu relevância para a nossa economia, principalmente quando falamos da região da Campanha gaúcha.
Nossa jazidas ainda têm um potencial de exploração muito significativo e, por óbvio, atraem interesses privados nacionais e internacionais. Discutimos muito isso quando governamos o Estado, com Tarso Genro. E foi lá, lembro, que a ideia do polo carboquímico começou a ganhar os seus contornos iniciais.
O processo carboquímico, que utiliza a fonte energética do carvão para a produção de gás, principalmente, tem vantagens ambientais em relação à utilização tradicional do carvão mineral. As emissões de carbono, nesse processo, são muito menores, mas evidentemente ainda existem, além de não prescindirem do processo de mineração, feito a céu aberto em nossas minas, com as consequências ambientais que todos conhecemos.
É preciso, portanto, que tanto o Estado quanto os investidores privados tenham grande consciência sobre as consequências deste projeto, que pode, efetivamente, atrair investimentos e fortalecer a dinâmica econômica da nossa região, mas pode, dependendo de sua gestão, trazer problemas ambientais que afetam a toda a comunidade.
Toda a intervenção humana na natureza, principalmente a de minerar e industrializar, traz efeitos ambientais. Felizmente, evoluímos muito em nosso padrão de cuidado e compromisso com a preservação. A conduta que pode ser caracterizada como expoliativa – aquela que não se preocupa com as repercussões negativas destas intervenções humanas – precisa ser, definitivamente, superada.
Manter a produção energética com base no carvão, para nós, não é uma escolha, é uma necessidade. Quem conhece a nossa região, sabe disso. Mas isso não é e não deve ser entendida como uma regra geral. Há locais e ambientes econômicos, geográficos e/ou habitacionais que não podem conviver com esse tipo de produção energética. E isso deve ser debatido de forma transparente com toda a comunidade, ouvindo e cotejando os argumentos de todos os lados.
Tenho tranquilidade em dizer que minha opinião está baseada, sempre, em uma avaliação concreta de uma situação concreta. É isso, por exemplo, que faz com que eu tenha uma opinião favorável à mineração do carvão aqui na região da Campanha, mas seja contra a mineração de metais pesados no entorno do rio Camaquã. Aquele projeto que nos ameaça não traz qualquer benefício para a comunidade e pode gerar um desastre ambiental de grandes proporções, afetando o rio e as populações ribeirinhas.
Por isso, nosso posicionamento é claro, em defesa do emprego, do desenvolvimento e da dinâmica econômica positiva gerada por novos investimentos em uma cadeia carboquímica. Da mesma forma, somos claros e diretos quando defendemos que estes projetos devem ser precedidos e acompanhados de todos os cuidados ambientais necessários, de forma a se desenvolverem amigavelmente com a natureza e com a vida humana que os cerca.

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