ANO: 25 | Nº: 6486
27/06/2019 Luiz Coronel (Opinião)

35 anos de liberdade

O que fizemos com os nossos 35 anos da mais absoluta liberdade? Não pretende-se supri-la, nem limitá-la. "A liberdade nós só sabemos defini-la quando a perdemos". Lutamos para conquistá-la, mas devemos perceber, imersos no labirinto de nossos dias, que somos um país pré-adolescente, que aproveitou o recreio para saquear a portinhola das merendas, derrubar as traves do campo de futebol, fazer das salas de aula uma fuzarca. Devemos constatar que nós estamos edificando nosso país sobre solo movediço, escorregadio, resultante da forma perdulária com que exercemos a nossa liberdade.

Obsessões – Se não tivermos nossas certezas sob permanente suspeita de erro, tornamos nossas convicções em obsessões.
Pensar grande – Se não fossem os grandes sonhos não existiriam as pirâmides, o Louvre, as catedrais góticas, a obra de Oscar Niemeyer. Quem pensa pequeno, morre agachado. O futuro não indaga o preço, usufrui das dádivas que as obras trouxeram.

Estádios – A Arena do Grêmio custou, ao que me consta, dois terços do custo de edificação do Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Por isso, se diz que aquele estádio, onde o vento enfrenta os fantasmas, constitui-se no mais gigantesco monumento à corrupção.

36 partidos – Não se fazem bons pratos com 36 ingredientes, nem um parlamento com 36 partidos. Quando Jesus foi convidado a definir o diabo, ele deu o nome: legião.

Argentinos – Torcer contra a Argentina é uma postura tribal. Necessidade de um inimigo para unificar a nossa tribo. – Contra a Argentina torço pela Rússia, China, Cochinchina. Esquecem o quanto a Argentina faz parte de nossa cultura. O tango, Gardel, Piazzolla, Luís Carlos Borges e até Guevara, se assim quiserem. Meu Deus! Que leva de sentimentos gratuitos acumulamos!

Hoje – Hoje, os moradores da calçada da esquerda recusam aceitar os jatos d'água que viriam lavar suas paredes encardidas. Já os moradores da rua direita, querem que pistolas e munições estejam disponíveis qual pipoca no parque, baguete na padaria. Hoje, a esperança se abriga sob a marquise dos edifícios, esperando que passe a chuva.

Anulação – Se anulados fossem todos os processos nos quais juízes e promotores confabularam, dialogaram, haveria um cataclismo, um tsunami processual no país. Folhas de processos voando, bailando pelos ares. Juízes em pane pelos corredores dos tribunais. Prisioneiros libertos. Desembargadores invadindo clínicas psiquiátricas, escrivães tomando barbitúricos e sedativos de canudinhos.

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