ANO: 25 | Nº: 6335

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
29/06/2019 José Artur Maruri (Opinião)

Convite à semeadura de amor

Um dos maiores testemunhos que temos na Terra, sem sombras de dúvidas, é a relação familiar.
Nesse sentido, recebemos com muita alegria a obra do autor Alírio Cerqueira Filho intitulada "Saúde nas Relações Familiares". O autor é membro da diretoria executiva da Federação Espírita de Mato Grosso e profissionalmente é médico com especialização em psiquiatria, psicologia, homeopatia e psicoterapia transpessoal.
Num dos belíssimos trechos da obra, o autor pede que nos lembremos da parábola do semeador anotada por Mateus, 13: 3 a 9:
"Eis que o semeador saiu a semear.
E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves e comeram-na; e outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda. Mas, vindo o sol, queimou-se e secou-se, porque não tinha raiz.
E outra caiu em boa terra e deu fruto: um, a cem, outro, a sessenta, e outro, a trinta.
Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça".
Segundo Cerqueira Filho, é preciso analisar a parábola dentro de uma abordagem psicológica profunda. Para ele, Jesus não está querendo chamar a atenção para o semeador em si, mas para o tipo de terreno que a semente cai.
Em nosso contexto, a parábola precisa ser analisada na linha da convivência familiar. Com isso, os diferentes tipos de terreno simbolizam, na família, os diferentes perfis psicológicos de seus componentes. Para o autor, temos seis perfis na parábola: beira do caminho, pedregal, espinheiro e três perfis de terra fértil que produzem 30, 60 e 100.
Nas diversas famílias temos pessoas que se comportam como se estivessem "à beira do caminho". São pessoas que permanecem na periferia da vida e vivem de maneira superficial, sem comprometimento com a própria vida.
Outras se comportam como os "pedregais" com pouca terra, onde a semente cresce rapidamente e logo morre queimada pelo sol. São aqueles que já têm um início de despertar para o bem, para o bom, para o belo, mas a terra ainda é pouca.
Temos as pessoas que se comportam como os "espinheiros" que, por mais que as sementes amorosas caiam sobre eles, estes as sufocam sob o peso dos sentimentos egoicos, tais como o orgulho, o egoísmo, a vaidade, a presunção, como se a vida não fosse uma dádiva divina para a própria evolução.
A pessoa que está no perfil "espinheiro" é aquela que, ao receber a semente de amor, a sufoca com a rebeldia do desamor. É o perfil de pessoa que está, ainda, cultuando o desamor pelo desamor. Essas pessoas sufocam as verdades dentro de si mesmas e, normalmente, enveredam por caminhos que produzem sofrimento que estará, posteriormente, transformando-as.
Enfim, temos os que já estão como a "terra fértil", simbolizando aqueles que já buscam um sentido para a própria vida.
Uns produzem trinta, simbolizando aqueles que iniciaram um processo de fertilização da própria existência. Já estiveram em outros perfis e, graças a dor, resolveram aceitar o amor divino.
Outros produzem sessenta, simbolizando aqueles que já estão em situação mediana. Despertaram há mais tempo e utilizam a verdade para transformar as suas vidas para melhor.
Outros produzem cem, simbolizando aqueles que já são fieis à verdade. Tem suas vidas repletas de sentido, com excelente qualidade, e utilizam todos os recursos para viver o Ser que são, em comunhão plena com Deus.
No entanto, o próprio Cerqueira Filho ressalta que não devemos querer que todos os membros da família estejam no perfil "terra fértil", já que isso não é próprio de um planeta de provas e expiações.
Que possamos refletir com as lições de Jesus à luz espiritismo, traduzido pela visão de Alírio Cerqueira Filho e, assim, trabalhemos pela nossa própria evolução, a fim de que estejamos, muito em breve, férteis ao ponto de produzir trinta, sessenta ou cem.

(Referências: Saúde nas Relações Familiares. Alírio Cerqueira Filho. Cuiabá: Editora Espiritizar. p. 178-180)

José Artur M. Maruri dos Santos
Trabalhador da União Espírita Bajeense
Comente: josearturmaruri@hotmail.com

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