ANO: 25 | Nº: 6382
29/06/2019 Cidade

Peixe raro coloca Bagé no mapa dos sítios de espécies ameaçadas de extinção

Foto: Matheus Volcan/Especial JM

Austrolebias vazferreirai pode chegar a 10 centímetros de comprimento
Austrolebias vazferreirai pode chegar a 10 centímetros de comprimento
Por Sidimar Rostan

Restrita a uma área estimada em 3.669 hectares, a espécie Austrolebias vazferreirai corre risco de desaparecer, em solo brasileiro, antes mesmo de ser estudada, com profundidade, por pesquisadores. Ameaças ao habitat natural do pequeno peixe das várzeas comprometem o desenvolvimento das raras populações já identificadas na região da Campanha gaúcha. Motivada justamente pelo contexto adverso, a inclusão da bacia do arroio Bagé na lista de Sítios da Aliança Brasileira para Extinção Zero (Sítios-BAZE, na sigla em inglês), formalizada pelo Ministério do Meio Ambiente, representa um passo importante no sentido do planejamento de ações para preservação.
O peixe não é registrado em nenhuma unidade de conservação. Também não existem dados concretos sobre tamanho populacional. O Austrolebias vazferreirai é considerado raro, na classificação estabelecida pelo Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, atualizada em 2018, por ser encontrado em apenas uma localidade e estar exposto a alto grau de supressão de seus habitats. A coleta que deu origem ao primeiro registro data de agosto de 2000. Em 2013, novas campanhas de coleta, realizadas por técnicos do Instituto Pró-Pampa (IPPampa), Organização Não-Governamental (ONG) que desenvolve projetos de pesquisa voltados à conservação da biodiversidade, registraram subpopulações.
O coordenador do IPPampa, Matheus Volcan, é categórico ao explicar que a manutenção da espécie depende de ações efetivas. “É correto afirmar que pode ser extinta antes de estudarmos mais a fundo, já que poucas populações são registradas no Brasil, e todas na região de Bagé”, alerta, ao reforçar que a perda de habitat pode significar a extinção. “No Uruguai (onde também já foram registradas), as populações são mais saudáveis e ocorrem em áreas mais bem preservadas. Mesmo assim, também é uma espécie considerada ameaçada de extinção. No Brasil, é necessário que se dediquem esforços para preservá-la, já que as populações foram encontradas em áreas que estão constantemente sofrendo processo de degradação por atividade agrícola ou expansão urbana”, relaciona.

Ciclo pequeno