ANO: 25 | Nº: 6334

Cássio Lopes

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01/07/2019 Cássio Lopes (Opinião)

Delfino Pacheco Filho

Nasceu em 29 de maio de 1902, no Piraí, interior do município de Bagé. Filho de Delfino Antônio Pacheco e de Maria José Barboza. Ainda criança, na localidade de Piraí, quando já frequentava a escola, seu pai, costumava cobrar as lições para verificar se os estudos estavam em dia. Uma vez, não soube responder os questionamentos do pai, resolveu, então, conversar com seu primo, Felomeno, para que ele o auxiliasse nos afazeres da escola para não ficar para trás; depois disso pode provar para seu pai que mantinha seus estudos em dia, além de sempre escrever com uma belíssima caligrafia.
Desde cedo, Delfino Filho mostrou-se dedicado e descobriu uma forma de tocar os instrumentos que não podia comprar: oferecia, para seus amigos, o conserto das gaitas que estavam estragadas e depois disso aproveitava para aprender a tocá-las. Era despachado e consertava vários objetos e, assim, ia descobrindo novas funções. E não parava por aí: arrumava relógios, cortava cabelo, era carpinteiro e pedreiro.
Sua carteira de trabalho comprova que foi joalheiro, industriário, agricultor. Tudo o que fazia era com muito capricho e reconhecido pelas pessoas que com ele conviviam. Posteriormente, contraiu matrimônio, em 1928, com Laurinda Leite Pacheco, com a qual teve os filhos: Dina, Zenaide, Delci, Delmar, José, Maria, Delfino, Dilmo, Loiva, Adel, Nilta e Douglas.
Certa feita, acampou no mato com seu filho Delci, a fim de cortar palha santa fé para fazer a cobertura da escola do Piraí. Nesse momento, pediu para o filho ir até a casa de seu amigo Dorvalino que residia próximo à Estância do Sobrado Velho, para buscar uma arma, afim de capturar alguma caça que viesse surgir, para servir de alimento. Dessa forma, ia ensinando seus filhos a realizar os afazeres que anteriormente aprendeu sozinho. Muitos dos seus ensinamentos estão presentes até hoje na família Pacheco.
Trabalhou nas épocas de safra, na Cooperativa Bajeense de Carnes (Charqueada São Domingos), no período de 1º de abril de 1942 a 09 de junho de 1962. Já no período contrário a safra, se deslocava para a região do Piraí, para trabalhar na Estância do Portão, na época, propriedade de Gideão Rato. Nessa fazenda, construiu um monumental conjunto de cercas e mangueiras de pedra, que são utilizadas até hoje.
Por volta de 1963, mudou-se para uma casa alugada localizada na vila de São Domingos, passando a fazer história no bairro, auxiliando na organização e urbanização do local, tendo boa relação com todos os moradores. Também cultivava hortas, onde compartilhava ensinamentos da terra e plantação com seus filhos e demais interessados.
Mais tarde, construiu sua casa própria no bairro, com ajuda dos filhos Delci, Delfino e Delmar. Após a sua aposentadoria, seguiu trabalhando com construção de pedras, sua especialidade, fazendo muros de porteiras, galpões, casas rurais e urbanas.
Delfino foi um homem honrado e muito batalhador, trabalhando em diversos ofícios e passando por diversas dificuldades, como por exemplo: percorrendo quilômetros de campos cobertos por geadas de madrugada, para cumprir seu horário de trabalho, e assim proporcionar uma qualidade de vida melhor a sua família. Ele e sua esposa, dona Santa (como gostava de ser chamada), ensinaram e compartilharam tudo que aprenderam em sua longa jornada, servindo de exemplo.
O casal costumava sentar na varanda da casa ou embaixo das árvores de paraíso, para tomar um chimarrão. Delfino adorava compartilhar com seus netos as famosas balas de banana ou, no horário do almoço, o vinho açucarado – não só com açúcar, mas também com amor. Nos fins de tarde, reunia os netos na calçada da sua casa para contar histórias por ele passadas. Além disso, Delfino gostava de colher goiabas direto do pé nos fundos de sua casa e dividir com seus netos nas tardes quentes de verão.
Faleceu em 10 de outubro de 1994, deixando além da esposa e filhos, os netos: Claudete, Cleonice, Rangel, Edgar, Clóvis, Milton, Elaine, Zolaine, Tatiane, José Ênio, Laura, Rita, Deicilene, Delci, Andreia, André, Ana Eliza, Cleide, Cátia, Cintia, Mara, Roberto, Jandrei, Michel, Rafael, Raquel, Roberta, Emerson, Juliano, Simone, Adriano, Luciana, Roger, Anderson, Laura e Douglas. Também os bisnetos: Priscila, Diego, Juliana, Jéssica, Leonardo, Fernanda, Francine, Douglas, Henrique, Lucas, Emilene, Camila, Max e Roberta.

 

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