ANO: 25 | Nº: 6312

William G. de M. Rodrigues

williamrodrigues@urcamp.edu.br
02/07/2019 William G. de M. Rodrigues (Opinião)

O Corpo de Bombeiros de Bagé: gênese e primeiras atuações

Todos sabemos da importância nas áreas de segurança pública e social de ter uma unidade da Corporação do Corpo de Bombeiros, Bagé cidade bicentenária não entende de modo diferente, entretanto nem sempre Bagé pode contar com esses serviço de suma importância. Podemos, então, nos questionar: como era a cultura de prevenção e combate a incêndios em meados da década de 20?
Quando surge uma situação de fogo nos dias de hoje, logo chamamos o Corpo de Bombeiros, todavia você saberia me dizer o que faziam nossos cidadãos bajeenses do início do século passado diante a situação de fogo? Segundo notícias do extinto jornal "Correio do Sul", diante da situação de fogo os moradores dos arrabaldes corriam para a casa ou prédio para, primeiramente, resgatar pessoas e/ou objetos. O perigo era iminente. Baldes de água e pessoas comuns com trajes civis combatiam as chamas pondo em total risco a saúde.
Há relatos de incêndios em fábricas que ficavam localizadas em pequenos prédios onde pessoas avistavam a fumaça e avisavam os donos do prédio. Avisavam como? Normalmente, disparando tiros para o alto. Isso mesmo, imagine um prédio cuspindo fumaça negra e você houve tiros pela rua e gritos de "fogo". Logo as pessoas saiam para as ruas para ajudar no que fosse preciso.
Nesta Bagé de meados da década de 20, havia uma rústica linha de energia elétrica, causa de muitos incêndios provocados por curto circuito. Já as residências que não tinham tal fonte de energia haviam incêndios provocados por acidentes com velas ou fósforos. Também era recorrente um número elevado de acidentes provocados por brasas, essas dos ferros de passar roupa ou de chaminés. Era comum armazenar produtos altamente inflamáveis como álcool e gasolina, armazenado principalmente em casas e prédios comerciais.
Uma notícia de julho de 1927 relata um acidente onde duas crianças ficaram gravemente feridas. Uma pequena explosão no interior de um prédio provocado por duas crianças que brincam com fósforo perto de latas contendo produtos inflamáveis foi um dos casos mais graves da época. Em abril do ano seguinte a vítima foi uma companhia de móveis que ficou parcialmente destruída pelo fogo. Estava na hora de Bagé ter um efetivo forte e profissional contra incêndios.
Em maio de 1928, por solicitação do Intendente Municipal Carlos Cavalcanti Mangabeira, embarcou de Porto Alegre com destino à Bagé um carro para transporte de materiais de incêndio com mangueiras, escadas, lonas, ganchos, baldes, picaretas, machados e outros utensílios de combate ao fogo diretamente importados da Inglaterra. Junto a este material, veio um alferes e um cabo do Corpo de Bombeiros para aqui trabalharem até que se instalasse uma equipe definitiva e plenamente treinada.
Em 2 de junho de 1928, acontece mais um incêndio na cidade. Esse é combatido e extinto pela população local. No artigo do jornal Correio do Sul, é dito (ironicamente) que uma hora depois compareceu ao local o Corpo de Bombeiros fazendo "uma bela demonstração de invejável rapidez". Após outro incêndio controlado pela população local, a seção do Corpo de Bombeiro divulga uma nota pedindo calorosamente que as pessoas acionem a Corporação que se encontra no seu alojamento junto à Intendência Municipal. E pede, também, que deixem o "mau costume" de fazer disparos com armas de fogo para anunciar o incêndio.
Após não participar efetivamente em outros casos de incêndio, finalmente em fevereiro de 1929 em um caso de incêndio em um prédio na avenida General Osório, o Corpo de Bombeiros compareceu ao local no princípio do fogo para combatê-lo. Em uma demonstração de efetividade, rapidez e bravura o incêndio foi calorosamente combatido pelos então heróis da cidade, então é relatado um problema, este visível até os dias de hoje, problema que afeta já o coração de cada bajeense nascido e criado no seio desta terra. A falta d'agua.

Historiador, professor do curso de História da Urcamp - Bagé/RS
E-mail: williamrodrigues@urcamp.edu.br
Fonte: Correio do Sul

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