ANO: 25 | Nº: 6487
03/07/2019 Cidade

Bagé recebe exposição de gravuras da artista Zoravia Bettiol

Foto: Gilberto Perin/Divulgação

A Xilogravura de Zoravia Bettiol: Restauração, Impressão e Visibilidade traz 40 gravuras de matrizes restauradas, criadas entre 1965 e 1998
A Xilogravura de Zoravia Bettiol: Restauração, Impressão e Visibilidade traz 40 gravuras de matrizes restauradas, criadas entre 1965 e 1998
A exposição A Xilogravura de Zoravia Bettiol: Restauração, Impressão e Visibilidade, que traz 40 obras em complementação de tiragem e reimpressões, abre hoje (3 de julho), às 19h, no Complexo Cultural do Museu Dom Diogo de Souza. As gravuras - inspiradas na literatura, na mitologia e na história - compõem um amplo painel do universo cultural, social, político, afetivo e intelectual vivenciado pela artista visual, que completa 84 anos em 2019.
A gravura é uma das mais significativas expressões da obra de Zoravia Bettiol, artista multimídia que se expressa também por meio da pintura, do desenho, da arte têxtil, do design, de instalações e de performances. As obras em exposição fazem parte de nove das treze séries temáticas criadas por Zoravia ao longo de sua profícua carreira: Primavera (1964), Namorados (1965), Gênesis (1966), Circo (1967), Romeu e Julieta (1970), Iemanjá (1973), Deuses Olímpicos (1976), Kafka (1977), Os Sete Pecados Capitais (1987).
A exposição, que foi exibida em Porto Alegre no mês de junho, é a etapa final de um projeto financiado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio do Pró-Cultura RS / FAC - Fundo de Apoio à Cultura.Com duração de nove meses, o projeto traz uma iniciativa inédita de recuperação do valioso patrimônio xilográfico de Zoravia Bettiol, com a restauração de uma parte considerável das suas matrizes gráficas - são 160 peças restauradas, que possibilitaram a impressão e a exposição das gravuras. A equipe de restauração, sob a coordenação da artista, dedicou-se a limpar as placas, vedar falhas na madeira, unir pedaços e colar novas lâminas de madeira em trechos perdidos pela exposição à umidade, ao calor e às pragas.
Esses trechos desaparecidos foram novamente gravados pela artista, num minucioso resgate do desenho original. Também os trabalhos de impressão exigiram rigorosa recuperação da memória das cores utilizadas nas primeiras tiragens e foram produzidas pela artista visando a máxima fidelidade à paleta original. A critério da artista, na reimpressão de uma pequena parcela das gravuras foram feitas algumas modificações cromáticas. Para mostrar ao público todo esse trabalho, a exposição apresenta também algumas dessas matrizes restauradas e painéis contendo imagens e textos que registram o processo de restauro e impressão.
Como forma de contribuir para a ampliação de acervos e a difusão da obra da artista, o projeto também prevê a doação de 48 gravuras para treze instituições de arte brasileiras, como o Museu de Arte do Rio Grande do Sul - MARGS, o Museu da Gravura Brasileira (Bagé/RS), o Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM, o Museu de Arte Contemporânea José Pancetti - MACC (Campinas/SP), o Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP/SP) e o Museu Casa da Xilogravura (Campos do Jordão/SP), entre outros, em cidades de diversos estados do país.


Trajetória da artista
A artista nasceu em Porto Alegre, em dezembro de 1935, em uma família de ascendência italiana e sueca. Estudou no antigo Instituto de Belas Artes, formando-se em pintura em 1955. As primeiras xilogravuras da artista remontam a 1956, quando começou a frequentar o ateliê de Vasco Prado (com quem dividiria parte considerável da vida artística e afetiva). Zoravia começou a produzir em um inspirado momento da história da xilogravura brasileira que fez surgir grandes mestres gravadores no Brasil e no Rio Grande do Sul.
Em 1959, produziu sua primeira série nessa técnica, A Salamanca do Jarau, inspirada no conto homônimo de Simões Lopes Neto. Ao longo das décadas seguintes, consolidou uma admirável trajetória como gravadora, com dezenas de exposições no Brasil e no exterior. Ainda cedo conquistou prêmios importantes, expôs na VI Bienal de São Paulo, em 1961, e obteve largo reconhecimento nacional e internacional, com participações, por exemplo, em bienais e exposições coletivas em Cracóvia, na Polônia (1974), ou em Liubliana, na antiga Iugoslávia (1987).
Foram nove séries diferentes com matrizes de madeira, entre 1965 e 1987, exercitando a verve de ilustradora e contadora de histórias - do lirismo nostálgico do trabalho circense ao peso sombrio do universo kafkiano. Adiante, Zoravia migrou para a serigrafia e passeou por meios sempre diversos, pulando de um ao outro ou justapondo-os. A xilogravura mantém-se como uma das referências maiores de seu percurso inventivo: momento de experimentação e excelência em criação visual.

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...