ANO: 25 | Nº: 6385

Fernando Risch

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Escritor
05/07/2019 Fernando Risch (Opinião)

O óbvio precisa ser dito

"Um povo que não conhece sua história, está fadado a repeti-la", diz em tons clichês o antigo e óbvio ditado. Em tempos de obscurantismo e verdades tiradas de realidades paralelas, não se pode ter medo de dizer o óbvio. Há de se chamar as coisas pelo nome, bem alto, sem receio.

Outro ditado interessante vem da Alemanha: "Se há 10 pessoas sentadas em uma mesa, um nazista se senta e ninguém se levanta, então há 11 nazistas sentados à mesa". Há de se chamar nazista de nazista, não de relativizar o óbvio. Quem relativiza o óbvio, justifica o injustificável e se torna parte daquilo.

Aqui vai um exemplo bem aleatório: se Otto Maximilian era um oficial de alta patente nazista, lutou na Segunda Guerra pela Alemanha nazista e foi condecorado por Hitler por seus feitos, bem, há de se chamar Otto de nazista e de maneira alguma tentar justificar o contrário.

Coincidentemente, nesta semana, o Exército Brasileiro prestou uma homenagem a esse meu exemplo aleatório: Otto Maximilian. Um nazista. Otto era major do exército nazista. Otto apertou a mão de Hitler enquanto ele lhe enfiava uma insígnia na lapela. Este era Otto. Um nazista. E o Exército Brasileiro, valoroso em sua história, com suas manchas habituais, prestou-lhe uma homenagem por ter sido assassinado no Brasil. Um nazista.

São tempos interessantes esses, apesar de sombrios. Há aqueles que se cansam e param de falar o óbvio. Eu os entendo, mas digo para não pararem, porque o óbvio precisa ser dito mais do que nunca. Quem acompanha atento e respira de perto os ares dos novos tempos compreende a necessidade do óbvio. Porque o universo é infinito, mas não é maior que a estupidez humana. A estupidez brasileira, então, nem se fala. Está para nascer corpo que se expanda mais que ela no contar de segundo do relógio do tempo-espaço.

É uma rotina intensa de obviedades a serem propagadas contra detentores de poder, numa tentativa exaustiva de desmentir o absurdo, a barbárie. Assim como conhecer a própria história, falar o óbvio se evita a barbárie. Porque se normalizamos o hediondo com uma passada de pano inocente, estamos condenados a viver (ou reviver) o pior da natureza humana.

Eu já mencionei que o slogan da Alemanha nazista era "Alemanha acima de tudo"?

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