ANO: 25 | Nº: 6283

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
08/07/2019 Caderno Minuano Saúde

Biofeedback

Foto: Divulgação

CAPA
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Biofeedback é um processo capaz de medir a atividade fisiológica, permitindo ao indivíduo saber como alterá-la, melhorando sua qualidade de vida física e mental.

Com objetivo de melhorar estados de ansiedade, estresse, fobias, atenção plena e diversas outras demandas, é uma técnica reconhecida mundialmente e que pode ser utilizada por diversos profissionais.

Através dessa ferramenta terapêutica, o paciente pode desenvolver sua capacidade de autorregulação. É um instrumento resultante de muitas pesquisas, após o período conhecido como “a década do cérebro”, por volta dos anos 90, quando o governo americano resolveu investir fortemente nas pesquisas relacionadas ao cérebro. Essas estratégias de biofeedback vêm sendo aprimoradas e garantindo sua comprovação científica.

Nesta edição, a psicóloga especialista em Neuropsicopedagogia, Catiéli Malaguez Marques, irá explicar sobre essa ferramenta terapêutica.

 

Recurso promissor do futuro

 

Como uma das ferramentas promissoras do futuro, o biofeedback vem ganhando cada vez mais profissionais que lançam mão desse recurso.

A psicóloga ressalta que há vários tipos de estratégias que usam a resposta fisiológica como meio de busca do equilíbrio, desde o uso da temperatura do corpo, ondas cerebrais, tensão muscular, frequência cardíaca entre outros.

“Venho utilizando em meu consultório, o cardioemotion, que é um programa de computador criado por especialistas em psicofisiologia para ajudar os pacientes na busca do equilíbrio emocional, com vários exercícios baseados nos estudos científicos”, ressalta a profissional.

Catiéli explica que para que o paciente possa fazer os exercícios é necessário fazer uma anamnese e avaliar sua frequência cardíaca, através de um sensor no dedo ou no lóbulo auricular, que capta essa frequência e faz a transdução para o software do computador, sendo possível avaliar os batimentos cardíacos com muita precisão.

“Após, iniciamos um processo breve de entendimento fisiológico do paciente, para que ele possa perceber um pouco de seu corpo, e então trabalhamos com respiração diafragmática e relaxamento.

Logo após, o paciente está apto para fazer os exercícios, sempre com o sensor em seu dedo ou orelha, e fones de ouvido para praticar os exercícios por 20/30 minutos por sessão e fazer análise de seu gráfico de evolução”, complementa.

 

Coração e Cérebro

A especialista acrescenta questionando: quem nunca ouviu as várias colocações que fazemos em tom divertido de que o coração e o cérebro conflitam? Então, a proposta do cardioemotion vem com o slogan de tentar tornar visível o invisível nessa comunicação entre coração e cérebro.

“O trabalho de biofeedback com frequência cardíaca, funciona diretamente com o sistema nervoso autônomo (responsável pelas respostas involuntárias do organismo e pelas funções vitais), tentando buscar um equilíbrio entre sistema nervoso simpático e parassimpático”, explica.

Do coração para o sistema límbico, temos um canal direto chamado aferência vagal que é o caminho de “conversa” do coração para com o cérebro, a resposta parte direto o sistema cardíaco para o sistema emocional chegando na região amigdaloide, se o cérebro recebe a informação do coração anormal, ele vai regular a fisiologia, mas se ele recebe a informação normal, então o paciente está no que chamamos de coerência cardíaca, onde não há a necessidade de regulação dessa resposta, comenta.

Nossa amígdala é uma estrutura bem pequena do nosso cérebro e muito importante, responsável pelas nossas reações emocionais e ela que nos protege se detecta uma ameaça, nos informa através de físicas (emoções) que precisamos tomar alguma atitude.

A profissional comenta que a amígdala se comunica com diversos núcleos neurais, e é através dela que a comunicação com o sistema nervoso autônomo, cujo representante é o nervo vago (aferência vagal), leva as informações da amígdala para o coração. “Vejamos, então, no caso de uma pessoa com fobia de avião, por exemplo. Só de pensar na possibilidade de fazer uma viagem, as informações podem chegar como crenças disfuncionais até a amígdala em forma de pensamentos como: “o avião irá cair”, “eu posso passar mal”, “vou ficar sufocada dentro do avião”, e assim seu batimento cardíaco entra em desequilíbrio, sem nem ao menos perceber, deixando, assim, sua amígdala cada vez mais reativa”, declara.

Na estrutura amigdaloide, guardamos nossas memórias emocionais, sejam elas reais ou imaginárias, dependendo de nossas vivências, modo de vida, educação. Por isso, o uso do cardio é útil para diversas demandas, e não apenas para pessoas em casos extremos, pessoas que não conseguem relaxar, que se sentem estressadas tem nele uma ótima opção de buscar tranquilidade.

Os exercícios de frequência cardíaca têm o objetivo, fazer com que o paciente entre em estado de coerência cardíaca, deixando a amígdala menos reativa e assim sentir uma baixa nos batimentos e conseguindo perceber claramente a redução da ansiedade e que o corpo não está sofrendo estresse e nem ameaças. Através desse processo o paciente vai internalizando o conceito e conseguindo condicionar suas funções. Depois de um tempo, sua amígdala passa a ter uma reatividade normal, o que é muito importante para que ela siga protegendo-o, em torno de 18% da nossa capacidade de percepção do ambiente está nela, pois é vigilante e se interpreta algum perigo desperta em nós reações de luta, fuga ou dependendo do caso congelamento.

Pacientes que experimentam a coerência cardíaca a descrevem como uma sensação agradável de paz interior.

Estratégias de biofeedback têm sido usadas pelas mais diversas áreas, em ambientes educacionais, clínicos, hospitalares, esportivos, devido a seus excelentes resultados. É importante que o técnico responsável pela administração dessas ferramentas tenha um conhecimento, pelo menos, básico da fisiologia humana.

Seus benefícios são para todo tipo de indivíduo. Podemos aplicar em crianças com dificuldade do controle emocional, a partir de mais ou menos seis anos, e adultos e idosos, e a quantidade de sessões vai ser definida conforme o caso do paciente.

Em razão da grande procura por resultados mais satisfatórios nas terapias, tenho tentado buscar modernidade e tecnologia para as sessões, tenho alcançado excelentes objetivos e ainda pretendo, em breve, trazer outras técnicas nesse sentido.

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