ANO: 25 | Nº: 6283

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
11/07/2019 João L. Roschildt (Opinião)

Entre anormais, machistas e nazistas

O desespero de um progressista nasce com a exposição das falhas de sua razão. Ou com a constatação da plena ausência da racionalidade. A falta de argumentos razoáveis, autorizando que a penúria intelectual não permita o florescimento humano, é pródiga no auxílio do onipresente rancor encontrado entre esquerdistas. No momento em que a fineza de espírito e a prudência mostram-se inexistentes, fertiliza-se a histeria ideológica e germinam falsas imputações.

Há pouco tempo, uma “estudanta” de um curso de Direito, carente de conexões intelectivas e, provavelmente, carente de atenção, buscou na retaguarda de uma rede social a guarida para expor seu “pensamento”. Em razão de saber que sou contrário à legalização do aborto, não perdeu tempo e rotulou-me de “professor machista”. Reparem que a razão para ser “machista” estava calcada exclusivamente em ser contrário ao aborto e favorável à proteção da vida de um indefeso. Em nenhum momento, foi exposto algum posicionamento meu sobre a superioridade moral dos homens, sobre a mulher dever ser tratada como propriedade masculina ou algo do tipo... até porque não defendo esses absurdos.

Em um passado mais distante, em virtude de me vincular com o que se pode denominar de conservadorismo político, a mesma “estudanta”, em outra rede social, já havia lançado indiretas, apontando que eu poderia ser nazista. Sem prova alguma. Sem exemplo algum. Sem sequer me conhecer. Mas a minha existência perturbou a sua existência, o que ensejou “resistência”. Nem é preciso mencionar que, ao ser classificado (injustamente) como machista e nazista, haveria um salvo-conduto para que ofensas e agressões pudessem ser perpetradas contra a minha pessoa, afinal, há um consenso de que tais filiações representam coisas ruins.

Claro que a “estudanta” em questão não está sozinha. Ela faz parte de uma ampla rede de “assassinatos morais” desenvolvida contra os opositores do progressismo. Em 26/06/2019, o congressista texano Dan Crenshaw, durante uma audiência que debatia a segurança nacional dos EUA, questionou Derek Slater, diretor global das políticas de informações da Google, a respeito de e-mails (autênticos) vazados recentemente. De acordo com essas mensagens eletrônicas que circularam entre funcionários da Google, Ben Shapiro, Jordan Peterson e Dennis Prager (três expoentes contemporâneos do pensamento conservador) são nazistas. Na audiência, Crenshaw lembrou que duas dessas três pessoas são judias e todos tiveram familiares mortos no holocausto. É importante lembrar que os três possuem inúmeros discursos abominando o nazismo. E Crenshaw foi duro: “Que tipo de educação as pessoas da Google têm para acharem que judeus religiosos são nazistas?” E ainda pediu que Slater ofertasse um único exemplo em que essas três pessoas houvessem praticado discurso de ódio, algo que (obviamente) não foi atendido pelo diretor da Google.

Pessoas que, de maneira infundada, fixam esses rótulos para tentar minar a reputação de alguém, sabem que a busca pela verdade é o último obstáculo a ser transposto para a concretização de suas agendas políticas. Não é uma questão de educação. É submeter a educação à ideologia. É a inversão de valores. Mas, como disse Roger Scruton, sem maiores surpresas, em recente passagem pelo Brasil, “as pessoas normais não são de esquerda”.

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