ANO: 25 | Nº: 6334

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
17/07/2019 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Que golaço!

Finalmente, nossa cidade voltará a ser servida por uma linha aérea comercial, que ligará diariamente Bagé a Porto Alegre. O anúncio da empresa Gol Linhas Aéreas foi formalizado em uma audiência pública da Comissão do Mercosul e Assuntos Internacionais, que ocorreu na sexta-feira passada (12), em Livramento. É uma luta antiga em que vários deputados e prefeitos e mesmo os governadores estão envolvidos há algum tempo.
Nas negociações com a empresa Gol, na qual participei direta e ativamente, ficou evidenciado que um processo como este nunca é resultado de um esforço individual ou mesmo de um partido ou governo exclusivamente, como eventualmente as propagandas podem tentar convencer. Disputar protagonismo exclusivo nestes temas, aliás, é mais uma manifestação de infantilismo político do que de eficiência administrativa.
O acúmulo de esforços e políticas que vinham se desenvolvendo desde o governo Tarso, quando baixamos o ICMS sobre o combustível de aviação de 17% para 12% foi continuado pelo governo Sartori, que acertou em conceder mais uma vantagem à operação, diminuindo ainda mais o ICMS sobre o combustível – para 7% -, e consolidado pelo governador Leite, que diminuiu a alíquota mínima para 2% e ainda permitiu a operação das rotas regionais através de contratos com terceiros, nesse caso específico com a Two Flex Aviação Inteligente, que vai ativar linhas regulares entre a capital e seis cidades do interior.
Foi esse conjunto de esforços e inteligências compartilhados e somados, coordenados pelo deputado Frederico Antunes, diga-se, é que resultou em tão importante benefício para a nossa cidade e região. É evidente que uma cidade com um aeroporto regional operacional e com ligação aérea para o centro nevrálgico da economia do país goza de um estatuto privilegiado no cenário geográfico brasileiro.
Como já escrevi no passado, o impacto da Unipampa, o crescimento dos projetos de fruticultura (principalmente uvas e oliveiras), os projetos de produção carboquímica em Candiota e o advento das lojas francas em cidades de fronteira (que trará benefícios para nossa vizinha Aceguá), serão catapultados ainda mais com a existência desta linha regular.
A ligação aérea entre Bagé e Porto Alegre, como já disse, permite um novo olhar sobre nossa localidade. É evidente que isso atrai não apenas turistas, mas também investidores, interessados em uma nova fronteira em áreas que têm grande potencial de crescimento no Brasil, como é o caso da plantação de oliveiras e a produção de azeites, para falar em apenas um aspecto.
Agora é preciso unidade política e engajamento comunitário para manter a linha com sustentabilidade. Isso, evidentemente, não é uma coisa simples no contexto de crise em que vivemos. Mas também não é algo impossível e nem mesmo muito difícil se o poder público municipal souber coordenar políticas de aproveitamento desta nova possibilidade de acesso à cidade e da cidade aos centros mais importantes da economia brasileira.
Nada contra a Azul Linhas Aéreas, evidentemente. Cogita-se, inclusive, pelo que já li e ouvi na grande mídia, que a empresa também quer ampliar suas linhas regionais e incluir Bagé em seus roteiros. Ótimo, concorrência sempre é bem vinda e caso saibamos trabalhar direito, em parceria com os empreendedores privados, haverá espaço para todos.
Boa notícia para Bagé. Ótima notícia para os bajeenses. Uma ligação aérea não pode ser considerada um luxo, um serviço para privilegiados, mas um instrumento de desenvolvimento, de atração de novos olhares e investimentos, uma nova forma de nos vincularmos à integração regional e global.
É gol e, nesse jogo, a torcida é toda para o mesmo lado. Vamos festejar, Bagé!

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