ANO: 25 | Nº: 6485
18/07/2019 Cidade

Bagé registra baixo índice de crescimento populacional

Foto: Tiago Rolim de Moura

Número de habitantes sofreu interferência dos processos migratórios
Número de habitantes sofreu interferência dos processos migratórios

De 2010 a 2017, Bagé registrou um baixo índice de crescimento populacional. Dados evidenciados por estudo elaborado pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), ligado à Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, mostram que a taxa de crescimento da Rainha da Fronteira é inferior, até mesmo, à média do Estado, que alcançou 3,3% no mesmo período.

O pesquisador Pedro Zuanazzi, responsável pelo estudo, destaca que Bagé deveria ter apresentado um índice maior do que os 0,24 registrados. Contudo, o déficit de crescimento foi agravado pelas trocas migratórias. Ou seja, a perda populacional deve-se, segundo ele, principalmente, pela mudança de cidade e de Estado.

Outros municípios da Campanha e Fronteira Oeste, como Uruguaiana e Dom Pedrito, registraram índices elevados de perda populacional, com 6,14% e 5,91%, respectivamente. Esses dois municípios, inclusive, figuraram no ranking das 20 cidades com maior perda populacional absoluta no Estado entre 2010 e 2017.

É interessante observar que a migração interna, principalmente por parte de habitantes dos municípios da Fronteira Oeste e Noroeste, que tiveram as maiores perdas populacionais dos últimos anos, dá-se em favor de cidades próximas a Porto Alegre, Caxias do Sul, Lajeado e Litoral Norte. Das 10 cidades que mais tiveram variação proporcional de suas populações (2010-2017), seis estão localizadas próximas às praias.

Com a menor taxa de crescimento populacional do País, o Rio Grande do Sul vê o percentual de idosos aumentar, ao mesmo tempo em que diminui o número de pessoas que integram o grupo em idade potencialmente ativa (15 a 64 anos). Dos atuais 11,3 milhões de habitantes, o RS ultrapassaria o número de 12 milhões se todos os gaúchos aqui nascidos, em qualquer época, retornassem ao Estado (isso com todos imigrantes também retornando aos estados de origem).

Zuanazzi observa, ainda, que o processo de envelhecimento da população gaúcha (20% da população terá mais de 65 anos em 2035, por conta das baixas taxas de fecundidade e da maior expectativa de vida) é similar aos estados vizinhos. Porém, esse recuo, em termos de participação nacional, deve ser creditado também às trocas migratórias, pois o RS tem um fluxo reduzido nos dois sentidos.

Considerando o critério de migração que confronta local de residência e local de nascimento, ou seja, que engloba as trocas migratórias das últimas décadas, Santa Catarina lidera o ranking dos destinos dos gaúchos que decidem morar acima do rio Mampituba: entre saídas e chegadas, o saldo é negativo em mais de 280 mil pessoas. Em seguida, estão Paraná (saldo migratório de -177 mil), do Mato Grosso (-90 mil), de São Paulo (-37 mil) e Mato Grosso do Sul (-33 mil), que fecham a lista dos cinco principais destinos.

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...