ANO: 25 | Nº: 6357

Fernando Risch

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Escritor
19/07/2019 Fernando Risch (Opinião)

Distopia

Distopia é meu gênero literário favorito. Segundo o dicionário, distopia é: "lugar ou estado imaginário em que se vive em condições de extrema opressão, desespero ou privação". Basicamente, são realidades paralelas, com sociedades repreendidas sob um regime totalitário de características peculiares, com pessoas com hábitos sociais baseados nesta repressão.

Eu tenho várias ideias distópicas para livros. Já criei vários roteiros na minha mente e muito em breve colocarei algum em prática. Este atraso na execução de uma obra distópica se dá por um problema muito simples: a distopia perdeu a graça quando comparada com a realidade e assim a ficção se esvai numa história óbvia e sem emoção.

Existem muitas distopias famosas, como 1984, de George Orwell; O Conto da Aia, de Margaret Atwood; Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley; e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. Mas há também uma não muito famosa, de 2006. Um filme com o ator pouco aclamado Luke Wilson, chamado Idiocracia, em que um homem normal congelado em nossos tempos é descongelado no futuro e se vê como o ser mais inteligente do mundo, em uma sociedade estúpida. O presidente dos Estados Unidos é representado pelo ator sempre sorridente Terry Crews e seu personagem é a pessoa mais estúpida de todo o planeta.

Eu tive uma ideia distópica recentemente. Consistia numa sociedade em que a resolução de todos os problemas era feita com a ação mais contrária possível para chegar à resolução. Por exemplo, se as pessoas não recebiam uma educação avaliada como "de qualidade", a solução era fechar as escolas e universidades para resolver o problema. Se o meio ambiente estava em crise para ser preservado, todas as instituições de proteção eram entregues para as pessoas que mais destruíam o meio ambiente. Se o problema da violência era algo a ser resolvido, então este meu governo distópico enfiava combustão para gerar mais violência e, assim, o problema se resolvia.

Ainda nesta ideia distópica, que eu pensei ambientar os anos de 2030, o país em que essa sociedade estava alocada tinha uma dívida pública que engolia 100% do PIB, então este governo parou de investir em tudo e todos os cidadãos precisavam trabalhar até o último dia de suas vidas para que essa dívida fosse paga, mesmo que ela crescesse de forma geométrica a cada três dias, a tornando impagável e os bancos (na minha história eram apenas quatro), em paralelo a esse sacrifício das pessoas, seguiam batendo recordes de faturamento a cada balanço realizado.

Faltam algumas coisas para que a história fique bem lapidada e eu possa escrever um livro digno de uma boa ficção. Espero que consiga lançá-lo antes de 2030, vá que ele perca a graça.

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