ANO: 25 | Nº: 6334

José Carlos Teixeira Giorgis

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Desembargador aposentado e escritor
20/07/2019 José Carlos Teixeira Giorgis (Opinião)

Breves notas sobre bajeenses ilustres

Em seguimento a pesquisas anteriores, encontram-se, no mundo virtual, as seguintes biografias dos seguintes conterrâneos ou de pessoas que aqui desenvolveram por anos determinada atividade bem-sucedida:

SEVERINO FRANCO DA SILVA, vulgo "Lagarto", pelotense (17.6.1898) foi um futebolista de renome. Era atacante. Começou a carreira no Guarany F.C, sendo, em 1917, contratado pelo Grêmio Porto-alegrense, tornando-se tetra campeão citadino (1919-1922). Atuou pelo tricolor até 1923 quando se transferiu para o Fluminense, do Rio de Janeiro, ali sendo campeão em 1924. Retornou para Bagé e para o Guarany em 1928. Lagarto integrou as Seleções Gaúcha, Carioca e Brasileira, com esta última sendo vice-campeão da Copa América de 1925. Transferiu-se para Porto Alegre, onde faleceu em 5.3.1972.
EMÍLIO RAMOS BLUM, bajeense de 10.4.1861. Engenheiro civil e político, filho do casal francês Jacques e Amélia Blum. Casou-se com Margarida Maria dos Santos, ambos pais de Heitor Blum. Em 1891 foi escolhido para o Congresso Representativo de Santa Catarina, atual Assembleia Legislativa, para elaborar a Constituição de 1891 do respectivo estado. Foi reeleito para a legislatura seguinte (1892-1893). Foi prefeito de Florianópolis. Também deputado federal (1894-1896). Faleceu em Mendes, em 5.3.1918.
FELIPE NORBERTO MACHADO CARRION, aqui nasceu, em 6.6.1912. Advogado, professor, um dos pioneiros da ufologia no País tendo sido eleito presidente do Grupo Gaúcho de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados. Bacharelou-se em Direito pela Universidade Federal do RS em 1935, exercendo a advocacia com seu colega e amigo Oswaldo de Lia Pires (1936), Leciono Geografia Física, com especial ênfase em Astronomia no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, onde seria diretor por vários anos. Casou-se com Izar Farinha Carrion, filha de tradicional família de pecuaristas de Bagé, educada em colégio francês, com quem teve oito filhos. Católico engajado, deixou numerosas obras tanto literárias, como religiosas, de sociologia e direito empresarial, também de geografia. Foi o fundador do conhecido escritório Carrion Advogados (1935), que teve ressonância nacional e internacional, ainda, hoje, existente já sob a gestão de filhos e netos. Teve destaque, como se disse, na ufologia, tendo verificado cerca de 4.000 referências, obtidas por entrevistas, livros e reportagens. Na área, deixou duas obras. Um caso descrito foi de Rivalino, morador de Diamantina, MG, que teria sido abduzido depois de capturado por dois pequenos objetos voadores de meio metro de altura. Rivalino seria localizado seis meses depois, quando se encontrou ossada completa, estranhamente descarnada. Dos fatos, fora testemunha um filho do abduzido. No fim de sua existência, Carrion se dedicava aos estudos do Santo Sudário. Entre suas obras se destacam: A Sociedade denuncia o Divórcio, Estudo Crítico das Ciências Ocultas, O problema da Alma e da Vida, Geografia Física, A Liberdade e Introdução à Filosofia. Carrion faleceu em Porto Alegre, em 28.4.1985.
VILMAR RODRIGUES, bajeense, nascido em 1931, foi desenhista e importante ilustrador brasileiro, vocação que revelou desde criança, começando, como geralmente acontece com outros semelhantes, a compor histórias em quadrinhos, revelando um especial traço. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1935 e, progredindo em seus estudos, logrou colaborar com o jornal Última Hora, através de charges humorísticas. Em 1957 gradua-se em desenho, dedicando-se, após, à propaganda.
A qualidade de seu trabalho o levou para O Pasquim e as revistas Pif-Paf e Mad, aqui na versão nacional. Seu sucesso o leva ao 3º Prêmio no Salão Internacional de Humor, Canadá, 1957. Interessa-se pela pintura a óleo, expondo tanto no Brasil como no exterior (Japão, Estados Unidos, Paraguai, Espanha). É ilustrador por vários anos dos trabalhos de Carlos Eduardo Novaes, Millôr Fernandes e Roberto Schneider, entre outros. Suas histórias em quadrinhos, com a vertente no terror, são reproduzidas na revista Sobrenatural, da Editora Vecchi. Uma das mais conhecidas é O Veneno, de autoria de Cláudio Rodrigues (Sobrenatural, nº 31, edição de outubro de 1981). Vilmar Rodrigues faleceu no Rio em 1995.
JOSÉ ERNANI DA ROSA, ou Tupãzinho, apelido herdado de seu pai, também grande futebolista. Inicia sua carreira no G. E. Bagé, onde se torna campeão citadino em 1957 e campeão do Centenário, em 1959. Seu passe foi negociado com o Guarany por 300 mil cruzeiros. Aqui, obteve grande destaque, especialmente na temporada de 1962, quando o alvirrubro obteve o terceiro lugar no campeonato gaúcho, colocação devida especialmente a algumas más arbitragens. Em acontecimento de grande repercussão nacional, é adquirido pelo Palmeiras por 30 milhões de cruzeiros em 1963, tendo estreado na derrota para o Sporting Cristal, do Peru. Esse início negativo não obscureceu sua extraordinária carreira no alviverde, em cuja história está relacionado como um dos mais jogadores que por lá passaram. Foi ídolo no Parque Antártica.
Com a jaqueta periquita, conquistou os campeonatos Paulista, de 1963 e 1966; O Torneio Rio-São Paulo (embrião do atual campeonato nacional), de 1965; o Campeonato Brasileiro (Robertão), de 1967; a Taça Brasil, de 1967. No Palmeiras, disputou 231 partidas (136 vitórias, 44 empates e 51 derrotas). O Torneio Pentagonal de Guadalajara em 1963, o Torneio do Centenário do Rio de Janeiro, em 1965 e a Copa João Havelange, em 1966. Marcou 122 golos (média de 0,52 por jogo), e assim sendo o nono maior artilheiro do clube paulista. Sua última partida pelo "verdão" acontece em 10 de fevereiro de 1968, na derrota por 3 a 0 para o Internacional, pelo Campeonato Brasileiro.Na página do clube há um texto intitulado "Tupãzinho, a perna torta que encantou Carlos Bilardo". Faleceu em São Paulo, em 28.2.1986.
VAINE GEISLER DUTRA, bajeense (20.12.1936), ficou nacionalmente conhecido como Marcos Miranda, ator e dublador de sucesso no cinema e na televisão. Filho de Otaviano Menezes Dutra e Áurea Geisler Dutra, seu nome é homenagem a John Wayne. Pertenceu aos Estúdios AIC e Herbert Richers. Curiosamente, Marcos viria a dublar o ator americano no filme Rastros do Ódio. Dublou Frank Sinatra, Alan Arkin, Charlton Heston, Tony Curtiss, George Kennedy, Donald Sutherland, Paul Newman, Dick Powell, Roberto de Niro (Don Corleone) e Kirk Douglas, entre outros mais. Atuou em filmes como O Vigilante Rodoviário, O outro lado do crime e O Beijo no Asfalto. Faleceu, repentinamente, enquanto dormia, vítima de parada cardíaca (rio, 7.10.1988). Nos últimos dias, viveu intranquilo ante vício de um filho. Teve também uma filha, Patrícia Bedingfield Dutra.

Pesquisas: internet e sítios de clubes de futebol.

 

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