ANO: 25 | Nº: 6334

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
20/07/2019 Airton Gusmão (Opinião)

E quem é o meu próximo?


"Quando o Papa João Paulo II veio a Calcutá, Madre Teresa conduziu-o até um moribundo e disse: 'Santo Padre, por favor, abençoe-o'. Ao levar pessoalmente os voluntários, os colaboradores, ou mesmo o Papa até os moribundos, ela os colocava em contato com Jesus, Pois, encontramos Jesus – disso Madre Teresa estava convencida -, em primeiro lugar, no Sacrário e, em segundo, nos mais pobres, sim, no nosso semelhante que sofre" (Maasburg,Leo. Madre Teresa: uma vida maravilhosa, São Paulo: Paulinas,2015; pag. 52).
No evangelho deste domingo (Lc 10,25-37), diante da pergunta de um mestre da Lei, sobre o que fazer para receber a vida eterna, e que diz conhecer os mandamentos, Jesus lhe orienta para que pratique estes mandamentos. Este homem, porém, querendo se justificar, pergunta: e quem é o meu próximo? Aí Jesus lhe conta a parábola do Bom Samaritano, que pede compaixão e misericórdia.
Quantas vezes nós sabemos o que fazer e não o concretizamos, nos justificando com os nossos afazeres, dizendo que não temos tempo, que não temos nada que ver com isso, os tempos são outros, hoje há muita violência; para não nos comprometer com o evangelho e os valores do Reino; atualizando assim, as atitudes e desculpas do sacerdote e do levita, onde seus interesses pessoais e suas funções são mais importantes do que socorrer o ferido, conforme lemos na parábola do Bom Samaritano.
Quem é afinal o meu próximo? O próximo não é só quem está ao meu lado ou perto de mim. Próximo é aquele por quem eu saio do meu caminho, para chegar até ele, como fez o samaritano da parábola. E aqui é importante fazer esta pergunta: se existe o bom samaritano existirá também o mau coração samaritano? Podemos dizer que sim. É aquele que não percebe a presença do necessitado. Mais do que não perceber, ele não quer perceber, faz que não vê. O bom coração samaritano é capaz de sair de seu caminho e tomar o caminho do irmão necessitado.
Falando sobre o Pilar da Caridade, as atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil: 2019-2023 (Documento 109 da CNBB), nos dizem o seguinte: "Na fé cristã, a espiritualidade está centrada na capacidade de amar a Deus e ao próximo. Quando se contempla Deus, percebe-se a beleza do pequeno e do simples, e se educa o olhar para ver as necessidades do outro. Somente um olhar interessado pelo destino do mundo e do ser humano permitirá experimentar a dor pela situação que rege a história, mas que é superada pelo amor de Deus que a envolve" (nº 102).
O Papa Francisco, na Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, nos lembrava o seguinte: "Em todas as circunstâncias, o que movia Jesus era apenas a misericórdia, com a qual lia no coração dos seus interlocutores e dava resposta às necessidades mais autênticas que tinham. Jesus declara que a misericórdia não é apenas o agir do Pai, mas torna-se o critério para individuar quem são os seus verdadeiros filhos. Somos chamados a viver de misericórdia, porque, primeiro, foi usada misericórdia para conosco" (nº 08 e 09).
Nesta parábola que lemos e ouvimos, o samaritano não ama somente a Deus com toda a alma, com o coração e com suas forças, mas também o irmão necessitado. Amar a Deus e amar o irmão são atitudes inseparáveis. Assim, como o mestre da Lei, também nós recebemos o convite de Jesus: "Vai e faz a mesma coisa".
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

 

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