ANO: 25 | Nº: 6400

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
23/07/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Ser adulto não é tão simples assim

Muito se fala sobre a idade adulta e suas vantagens e desvantagens. Sobre ter muitos direitos e deveres, sobre ser dono do próprio nariz e tal.  A partir de que idade se inicia esta tão sonhada fase, a partir dos 18, 21 anos? Claro que não! A vida adulta é um conceito mais complexo e ao mesmo tempo mais sutil do que simplesmente ter direito ao voto, poder dirigir um carro, ter vida sexual ativa ou poder comprar cigarro e bebida alcoólica.  Homer Simpson, o irresponsável e preguiçoso patriarca da série Os Simpsons, é o melhor exemplo de que a maturidade não está alinhada com a idade cronológica, sendo que uma de suas máximas é: “Se a culpa é minha ponho ela em quem eu quiser.”
Somos adultos apenas, e seja lá com que idade isso comece a acontecer, quando assumimos nossos atos, nossas responsabilidades por nossas escolhas, quando conseguimos lidar com as consequências destes e, principalmente, quando deixamos de por a culpa de nossas ações nos outros. Sim, emocional e psicologicamente, só podemos ser considerados adultos quando temos a coragem de assumir nossos gestos e escolhas por livre e espontânea vontade.
Ainda somos crianças: Quando a culpa é do outro, seja ele quem for. Sempre que mentimos para nós mesmos acreditando que mentimos para os outros. Nas vezes em que apostamos que escolhas não trazem consequências. Nos momentos em que oportunamente queremos somente os direitos da vida adulta, ignorando os deveres. Cada vez que justificamos nossas  escolhas com os atos alheios. Nada mais infantil que passar a vida culpando os pais por nossa infelicidade ou decisões equivocadas. Quando não nos permitimos admitir nossos erros, só crianças se julgam perfeitas.
Sendo assim quando podemos ficar adultos?
Sempre que admitimos um erro e assumimos responsabilidades. Quando passamos a repensar um ponto de vista ou que pedimos ajuda por perceber que não é possível darmos conta da situação sozinhos. Ficamos adultos quando percebemos que cada escolha envolve uma renúncia, afinal de contas não é possível tudo ter. Nos “adultizamos” quando assumimos a tarefa de começar agora a melhorar nossa relação conosco e com o mundo que nos cerca porque quando adultos percebemos que nossas escolhas afetam outras pessoas, sempre. Estamos entrando em fase de maturidade quando notamos que não é tão feio admitir um erro quanto é horrível ser aquele que sempre tem razão. Estamos ficando adultos quando nos damos ao trabalho de aprender a falar e aceitamos ouvir. Acima de tudo nos aproximamos da maturidade quando aceitamos que temos deveres e, apesar de muitas vezes serem cansativos ou penosos, desejamos fazer da melhor forma possível, porque nos pertencem e que ninguém precisa nos lembrar disso.



É horrível ser aquele que sempre tem razão

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