ANO: 25 | Nº: 6382

João L. Roschildt

joaoroschildt.jornalminuano@outlook.com
Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
25/07/2019 João L. Roschildt (Opinião)

O choro da criança

O coletivismo é a certidão que declara a incapacidade individual. Na essência, o coletivista é aquele idiota que busca um mundo melhor para esparramar sua idiotice. No íntimo, ciente de sua ignorância, resguarda-se atrás de numerosos escudos de tolos, na esperança de que unidos vencerão. Agregados em bandos e histriônicos por definição, negam fatos e justificam atrocidades em nome da causa. Na ânsia pela perfeição, nenhum obstáculo é intransponível.

O Grenal 421 não será lembrado pelo patético futebol demonstrado, ou pelo ridículo empate como resultado. Sua carga de emoção e dramaticidade foi depositada nas arquibancadas. Após o término do jogo, uma mãe e seu filho (Bernardo, com apenas 6 anos de idade), em espaço destinado à torcida do Internacional, resolveram expor, efusivamente, a camiseta do Grêmio. Em poucos segundos, uma “torcedora” colorada (auxiliada por um pequeno grupo de marmanjos) tentou arrancar das mãos da mãe a camisa tricolor por meio de empurrões e xingamentos. Fortalecida por estar entre os seus comparsas, a “torcedora” do Inter não poupou esforços para retirar à força os “invasores” tricolores, mesmo que isso custasse o choro desesperado de uma criança.

Os que conhecem minimamente o comportamento selvagem presente em todos os estádios de futebol no Brasil sabem o quão irresponsável foi aquele ato; afinal, ele consistiu basicamente em expor um ser absolutamente indefeso em um ambiente hostil. E a falta de proteção se deu pelos aspectos físicos e psicológicos. Todavia, nada, absolutamente nada, justifica essa agressão. Mas há um componente que acrescenta uma pitada de pimenta nesse caldo cultural horrendo: a mistura entre política e futebol.

Ora, eis que a “torcedora” colorada portava em seu largo pescoço um cachecol da Frente Inter Antifascista. Assim, o dito grupo antifascista, notadamente vinculado a pautas da esquerda, resolveu se pronunciar sobre o episódio. Em uma pequena nota no Facebook, trouxe à tona que o ocorrido se deu “por falhas em um protocolo básico de segurança”, lamentando que uma criança tenha sido exposta a isso. Nenhuma crítica à ação da “torcedora” colorada. Nenhum repúdio à violência contra a mãe. Nenhum distanciamento explícito da selvageria praticada. Nenhuma solidariedade enfática para com o menino. Claro! Antifascistas contemporâneos são fascistas às avessas. Quanta ingenuidade!

Para o site GaúchaZH, a agressora antifascista (que diz não fazer parte do movimento... será que soaria mal dizer que é do movimento?) declarou que foi um “ato impulsivo”, no intuito de avisar que a gremista e seu filho não deveriam estar ali, e que não teve “intenção de agredir, assustar ninguém”. Sua alegação final foi de que gostaria que baixassem a camiseta do Grêmio “por questões de segurança”.

Nada é tão evidente quanto a indiferença e a desfaçatez (ou a indiferente desfaçatez) fazerem parte de antifascistas e de bárbaras, portando machados travestidas nas cores de um time de futebol. São duas grandes características coletivistas utilizadas para justificar a violência contra aqueles que proferem uma “fé” distinta. Mas, talvez, seja algo típico de nossa natureza; afinal, como afirmou Nelson Rodrigues, “o ser humano é cego para os próprios defeitos. Jamais um vilão do cinema mudo proclamou-se vilão. Nem o idiota se diz idiota”.




Sua carga de emoção e dramaticidade foi depositada nas arquibancadas

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...