ANO: 25 | Nº: 6332

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
27/07/2019 Airton Gusmão (Opinião)

Rezar como Jesus rezava para agir como ele agia

“Um jovem padre fez a seguinte pergunta a Madre Teresa: afinal, qual é o seu segredo? Ela respondeu: é muito simples, eu rezo. Sem Deus somos pobres demais para ajudar os pobres. Mas, se rezarmos, Deus coloca o seu amor em nós. O fruto da oração é o amor. O fruto do amor é o serviço” (Maasburg, Leo. Madre Teresa: uma vida maravilhosa, São Paulo: Paulinas, 2015; p. 96-97).
Jesus reza, ele é testemunha de oração para os seus discípulos, que lhe pedem: “Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos”. Ele apresenta a oração do Pai Nosso e convida a rezar com perseverança e confiança: “Pai, santificado seja o teu nome. Venha o te Reino. Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos, e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação” (Lc 11,2-5).
O evangelho de Lucas apresenta Jesus como um homem de oração e que estava em oração nos momentos mais importantes de seu ministério: no batismo, antes de escolher os doze apóstolos, na confissão de Pedro, na transfiguração, antes de ensinar o Pai Nosso, e na agonia do Getsêmani. Assim, a oração do Pai Nosso e o ensino sobre a oração ganham um sentido de participação na vida de oração filial do próprio Jesus. É o exemplo de Jesus que provoca o pedido: “Senhor, ensina-nos a rezar”.
A Igreja nos diz que “a Oração do Senhor é realmente o resumo de todo o Evangelho. Depois de nos ter legado esta fórmula de oração, o Senhor acrescentou: ‘Pedi e recebereis’ (Jo 16,24). Cada qual pode, portanto, dirigir ao céu diversas orações, conforme suas necessidades, mas começando sempre pela Oração do Senhor, que permanece a oração fundamental” (Catecismo da Igreja Católica, nº 2761).
Ao ensinar os discípulos a rezar como ele rezava, com as palavras do Pai Nosso, Jesus também chamou a agir como ele agia. Esta oração traz os elementos fundamentais da existência humana e expressa a relação afetuosa entre o Pai e seus filhos. Sobretudo, apresenta como deve ser a relação entre os discípulos e Deus, e quais são os elementos essenciais da pregação de Jesus: a manifestação e o reconhecimento da Santidade do Pai entre os homens; a vinda do Reino misericordioso; o alimento necessário para cada dia; o perdão dos pecados, conforme a misericórdia do orante e a libertação das ocasiões de tentação.
Nas atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, 2019-2023, um dos 4 pilares que sustentam a comunidade eclesial missionária, é o pilar do Pão: liturgia e espiritualidade, que diz o seguinte sobre a oração: “A oração dos discípulos missionários de Jesus Cristo deve ser a expressão da espiritualidade do seu seguimento. Como outrora, é preciso renovar constantemente o mesmo pedido ao Senhor: ‘Ensina-nos a orar’. Orar, antes de ser o resultado de um esforço humano, é a ação do Espírito em nós, abrindo espaço para chamar a Deus de Pai” (nº 96).
Rezemos sempre com perseverança e confiança, e vivamos o que a oração do Pai Nosso nos pede. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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