ANO: 25 | Nº: 6334

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
30/07/2019 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

As crianças e as amizades

As crianças são muito transparentes ao se relacionarem. Ao estabelecerem amizades vão demonstrando como estão entendendo o mundo, seus sentimentos, a importância dos outros e a sua própria. Esta engrenagem, aos poucos, alimenta a autoestima e a autoconfiança para toda a vida. Embora este aprendizado e nivel de desenvolvimento afetivo e emocional sejam evidentes nem sempre o são para os pais. Estes, não raro, se angustiam pensando que a criança deve ter mais amigos, que os conflitos entre eles devem ser resolvidos sob a ótica dos adultos, que as  amizades são injustas ou estão frustrando demais seus pequenos. Isto para citar apenas os pontos que mais aparecem numa infindável lista de adultos que esqueceram como se aprende a viver - vivendo e aprendendo a resolver os próprios conflitos.
Proponho que os pais fiquem atentos à forma como seus filhos desenvolvem as amizades, sim, mas menos preocupados em fazer "justiça" e mais observadores sobre o que a criança está demonstrando a respeito de sua própria maturação emocional com os relacionamentos. Ou seja, pense mais sobre o ser humano que está sendo formado em sua casa e menos no "reizinho ou princesinha" que precisa ser amado e agradado por todos.
A amizade na infância quando desenvolvida de modo natural, sem grandes interferências por parte dos adultos, pode ser potente mestra de valores que estão fazendo falta em todas as esferas do convívio humano, tais como:
Lidar com as diferenças. Ninguém é igual a ninguém e mesmo assim todos merecem respeito.
É impossível ser protagonista o tempo todo. O mundo não gira em torno de nossas vontades, portanto frustrar-se pode ser a única forma de aprender isso.
Afinidade é algo que surge ao natural, é normal que surja em relação a algumas pessoas e não em relação a outras. Aceitar isso e não confundir com preconceito ou ser discriminado é muito importante.
Quando se gosta de alguém queremos ter esta pessoa por perto, mas ela não é nossa propriedade como seria um brinquedo. Ela tem vontade própria, não podemos controlá-la e, se não quiser nossa companhia, isto não quer dizer que não somos importantes ou que estamos sendo desrespeitados.
Todas as ações e atitudes têm consequências, boas ou ruins. A forma como escolhemos tratar os outros é determinante em como seremos vistos e tratados por todos.  Os adultos devem perceber que crianças que ainda não aprenderam esta noção refugiam-se no papel de vítimas ansiando por sua interferência. Controlar-se é fundamental. Mais uma vez aqui a frustração educa e faz crescer.
E, por fim, sempre é possível encontrar uma forma melhor de se relacionar. Se as amizades estão sendo motivo de sofrimento ou frustração é mais sábio mudar as próprias atitudes rumo ao aperfeiçoamento pessoal do que mudar os outros segundo nossos critérios.

OLHO
“Vivendo e aprendendo a resolver os próprios conflitos”

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