ANO: 25 | Nº: 6334

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
31/07/2019 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Um castelo no Pampa

Na segunda-feira, 29, visitei, junto com o deputado Zé Nunes (PT) e com o prefeito de Pedras Altas, Luiz Alberto Perdomo, a propriedade do político e diplomata gaúcho Joaquim Francisco de Assis Brasil, o icônico Castelo de Pedras Altas. O castelo se encontra em um estado que beira o lastimável. Com infiltrações e sem cuidados sistemáticos, deteriora-se de forma rápida, dilapidando um patrimônio fundamental para a cultura e a história gaúcha.
O inusitado da construção, o castelo no pampa, que deu nome até mesmo a uma trilogia do escritor gaúcho Luiz Antonio de Assis Brasil, ex-secretário de cultura do estado durante o governo Tarso Genro, é apenas uma das relíquias que ali se guarda. Há, sem dúvida, um valor material na propriedade, já que o acervo de Assis Brasil conta, por exemplo, com nove mil volumes em uma biblioteca de encher os olhos, mobiliários de época, incluindo a mesa onde foi assinado o Pacto de Pedras Altas, que deu início à desmobilização dos revoltosos de 1923.
O maior valor, entretanto, é imaterial, aquele que tem o poder de marcar e recuperar fatos históricos importantíssimos para nossa formação político e social. Assis Brasil, como se sabe, não foi apenas um político e militante, mas um vanguardista em vários aspectos, trazendo do exterior experiências e práticas que contribuíram de forma significativa para nossa produção agropecuária, para ficar em apenas um exemplo.
Por este motivo, inclusive, o Parque de Exposições do Rio Grande do Sul, que se situa na cidade de Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre, denomina-se Parque Assis Brasil. Uma expressiva homenagem ao homem que, pode-se dizer, fundou a agropecuária moderna no Rio Grande do Sul e, porque não dizer, no Brasil. A introdução da raça Jersey, por exemplo, que qualificou nosso rebanho leiteiro, é só uma das agregações nesta área. Houve muitas, com repercussões nas práticas produtivas de nossos agricultores e pecuaristas.
Mas de que vale homenagearmos o brilhante gaúcho do passado se não cuidamos de seu maior legado. Sim, o castelo, infelizmente, encontra-se em uma situação de abandono como nunca vi. Isso, evidentemente, não é responsabilidade da família, cuja representante que nos abriu o acesso à casa, Lídia de Assis Brasil, neta de Joaquim Francisco, manteve por anos, até quando foi possível economicamente, nos revelou, a propriedade aberta para visitações e em bom estado de conservação.
Agora, entretanto, o castelo é habitado apenas pelo mobiliário clássico, que sofre com as circunstâncias do tempo. Uma triste situação para quem agregou tanta cultura e ensinamentos, através de teorias, práticas e exemplos fundamentais para as várias gerações que se seguiram. É preciso, evidentemente, fazer alguma coisa.
Temos uma iniciativa na AL que torna o Castelo de Pedras Altas um patrimônio do estado, de valor cultural e histórico. O projeto de Lei de minha autoria já foi aprovado na CCJ da Assembleia Legislativa. O título, entretanto, não resolve o problema concreto da falta de valorização e aproveitamento público da propriedade.
Por isso, estivemos lá. O deputado Zé Nunes, que é de São Lourenço e estudou em Pelotas, também é um incentivador da necessidade de recuperação desta preciosidade que temos instalado no meio do Pampa, justo na cidade de Pedras Altas. O prefeito Perdomo, por sua vez,  entende perfeitamente o valor histórico e cultural, mas também o potencial turístico que a recuperação do castelo e um manejo correto de suas características podem trazer para a sua cidade e para a região inteira em que ela se assenta.
O contexto é difícil, mas estamos convencidos que a mobilização de setores públicos e privados pode devolver aos gaúchos o acesso a este ícone da cultura, da política e da economia gaúcha. Um esforço tripartite, envolvendo União, estado e município, com o devido apoio de setores privados, pode ser um caminho para a devida revalorização do acervo completo do castelo. Sabemos que contamos com a sensibilidade positiva da atual secretária estadual de cultura, Beatriz Araújo, que também é da região.
Joaquim Francisco de Assis Brasil, no seu contexto histórico, lutou por eleições justas no Rio Grande do Sul e abriu caminho para as modernizações decorrentes da ascensão de Getúlio Vargas ao poder, primeiro no estado e depois no Brasil. Contribuiu, também, com a pacificação do estado, depois de décadas de conturbações violentas. E, além de tudo isso, escreveu, trabalhou e fincou raízes na cultura do nosso estado.
A valorização deste legado material e imaterial trará, certamente, atenção e movimentação turística para toda a região, compondo um dos elementos (talvez o mais importante) do nosso sítio histórico, cultural e econômico, gerando, além de tudo, emprego e renda para a região da Campanha e Sul do estado. Temos muitas razões, portanto, para salvar o Castelo de Pedras Altas. Junte-se a nós.

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