ANO: 25 | Nº: 6334

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
01/08/2019 João L. Roschildt (Opinião)

A autenticidade do poser

Um dos variados subprodutos da cultura progressista é a dissimulação. Seus adeptos, no intuito de esconder o ódio putrefato que está na essência de suas carcaças mentais, escondem-se em indumentárias discursivas que pregam o bem. No melhor estilo totalitário e embrulhados por coletivismos caquéticos, querem que o mundo seja sua plena vontade de representação.

Nesse contexto absolutamente tóxico, é que surge a figura do poser ativista-intelectual. Em linhas gerais, o poser pode ser classificado como uma pessoa que tem como objetivo impressionar outras pessoas, fingindo ser algo que ela não é. Isso ocorre, muitas vezes, quando se copiam trajes ou vocabulários de determinados grupos. Ou seja, é alguém que se engana querendo enganar.

Na prática, o erudito poser é o estudante que não estuda, mas defende “mais educação”. É o político desarmamentista que tem seguranças armados. É o trabalhador que não trabalha. É o socialista que diz amar a liberdade. É a defensora da vida pregando liberalização do aborto. É a ativista que quer salvar o mundo, mas que é incapaz de organizar seu quarto. É o intolerante defensor da tolerância. É o ávido simpatizante da pichação desde que não seja em sua casa. É a comunista que resolve aproveitar suas férias em Nova Iorque. É a hippie capitalista. É a feminista que instrumentaliza mulheres para sua causa. São tiranos que defendem a democracia.

Esses politizados posers julgam-se acima do bem e do mal. Em seus atos de fala que inundam suas redes sociais, não se cansam de expor despudoradamente a carne de suas incoerências existenciais. Aqueles que recomendam a morte de seus opositores de ideias, ao mesmo tempo pedem respeito para todos os grupos sociais. Tratam aqueles que discordam de seus pensamentos com absurda indignidade, mas vendem-se como zeladores da dignidade da pessoa humana. Esses ferozes selvagens destroem os pilares básicos da civilização, clamando por civilidade. Querem perdão sem comunhão. Escondidos, refletem a mágoa, o rancor e a arrogância; em público, são ilusionistas da reconciliação, do amor e da humildade. Disseminam a guerra para depois discursar pela paz.

Condicionados pelo lirismo revolucionário e vivendo a fantasia de suas misérias existenciais, responsabilizam o mundo pelas suas incapacidades de adaptação. Dementes pela própria natureza, se mostram como belos, fortes e impávidos colossos. Tudo para escamotear que o presente e o futuros não espelham nenhuma grandeza. Lutam pela empatia de suas causas, mas são especialistas em expressar alto grau de antipatia.

Na dinastia desses posers, sobram ególatras que propagam a solidariedade como forma de aplacar a dor de suas incoerências. Incapazes de estreitar laços comunitários, transformam qualquer convivência social em luta de classes: dividem para conquistar, são naturais opressores reclamando de supostas opressões e querem “lacrar” para nunca dialogar.

Outro traço comum entre esses fraudulentos ambulantes é a completa falta de coragem mesclada ao cinismo. Parcialmente educados no convívio real, ou até mesmo insignificantes quanto às suas formas de expressão, são perversos e bestiais no espaço virtual. Incapazes de buscar a verdade, falsificam suas vidas com expectativa de universalização. Todavia, há algo de autêntico no poser progressista: sua hipocrisia.



Esses politizados posers julgam-se acima do bem e do mal

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