ANO: 25 | Nº: 6334

Fernando Risch

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Escritor
02/08/2019 Fernando Risch (Opinião)

Ideias de propostas ao presidente

Esta coluna era para ter sido escrita há duas semanas, mas eu resolvi adiá-la. Perdi o timing e o senso profético que ela teria. Ela se chamaria “Temos que legalizar o trabalho escravo”, junto à ideia do título, eu daria dicas de propostas que o presidente Jair Bolsonaro poderia trazer ao povo brasileiro, ajudando-o na concretização deste estado ideal, pelas características do que já foi proposto no seu governo.
Pois eu não escrevi esta coluna há duas semanas e para a surpresa de pouca gente, neste curto período de tempo, o presidente relativizou o trabalho análogo à escravidão, alegando que esta definição não é o mesmo que trabalho escravo, abolido em 1850. O presidente defendeu donos de terra condenados por tal crime que perderiam suas propriedades caso uma emenda parlamentar fosse aprovada, o que traria grande insegurança ao setor. Afinal, o que é um escravo? Perdi a chance de ser o profeta do óbvio, mas vou me redimir. Nas linhas a seguir, vou elencar novas ideias de propostas que o presidente poderá usar no decorrer das próximas semanas.
Comecemos por campos de concentração. Calma, não é isso que você está pensando. Não é a mesma coisa daquilo lá que você leu nos livros de história. Estes seriam diferentes. Seriam apenas para opositores políticos do governo, criminosos, indigentes, ateus, ciganos, gays, negros, feministas, imigrantes e qualquer um que discordasse do regime. Uma proposta que visa o controle populacional, o combate à criminalidade, à soberania nacional e a manutenção da moral e dos bons costumes.
A segunda proposta, para a segurança, é a criação do “Disque Morte”. Qualquer cidadão de bem que desconfiar de algum vizinho ou que tenha qualquer pessoa a lhe importunar a vida, seja pela razão que for, para se sentir mais seguro, pode ligar para uma linha direta do governo que prontamente enviará um esquadrão da morte para resolver o problema. O “Disque Morte” só estará à disposição para parte da população, que será designada pelo governo como “Cidadãos de Bem”, a partir de critérios como etnia, religião e classe social, e estes terão seu anonimato protegido e estão imunes de serem alvos do “Disque Morte”. Os outros deverão andar na linha, porque quem não deve, não teme.
Além disso, para combater a fome, a proposta “Barata Para Todos” que visa a criação de um grande criadouro de baratas para alimentar sem tetos famintos e qualquer brasileiro à beira da morte por inanição. Uma proposta que, como nome já diz, é barata: de pouco custo e alta efetividade. E aos assalariados, para facilitar a vida do empregador, podem receber seus salários integralmente em balas 7 Belo. Caso o empregado deseje dinheiro, deve vender as balas fora do horário de expediente. Medida que proporciona ao empregado colocar margem de lucro em cima de suas balas e ganhar um salário acima do mínimo. Com estas propostas o Brasil se impulsiona economicamente e diminui sua desigualdade social, gerando cada vez mais empregos.
Num segundo momento, proponho a criação do Ministério do Chevette. Este ministério tratará de todas as demandas dos brasileiros que amam o carro Chevrolet Chevette. O ministério conterá o maior orçamento dentre todas as pastas do governo, pois temos que dar prioridade ao que é mais importante. O presidente, assim, faria uma transmissão ao vivo extra por semana nas suas redes sociais, comentando fotos de Chevette enviadas pela população e criaria uma votação online para que o povo decidisse qual é o melhor Chevette da semana.
Por enquanto é isso que consigo propor para ajudar no projeto de governo, com ideias alinhadas ao que eu acredito seja o pensamento do presidente. Vamos ver se estas ideias serão aceitas e propostas. Resta aguardar as próximas semanas.

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